Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Com cenário externo e aliança Centrão-Alckmin, dólar fecha em queda de 1,7% e Bolsa sobe 1,4%

Resultados nos mercados de ações e cambial refletiram otimismo dos investidores com o apoio do Centrão à candidatura do tucano Geraldo Alckmin à Presidência

Paula Dias, Simone Cavalcanti, Douglas Gravas, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2018 | 14h51

O mercado financeiro recebeu com entusiasmo a sinalização de apoio dos partidos do chamado Centrão à candidatura do ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência. O Ibovespa, principal índice da Bolsa, fechou nesta sexta-feira, 20, com alta de 1,4%, aos 78.571,29 pontos - o maior nível desde junho. Já o dólar à vista teve uma queda de 1,70%, e encerrou o dia cotado a R$ 3,7758, menor patamar em quase um mês.

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Vale destacar que, além dos fatores internos, o exterior também foi determinante.  Lá fora, uma declaração do presidente americano, Donald Trump, criticando a alta de juros no país, impactou na queda do dólar. A moeda americana se enfraqueceu fortemente ante divisas fortes e emergentes.

Eleição. Faltando pouco mais de dois meses para o primeiro turno das eleições, líderes de DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade sinalizaram que os partidos apoiariam a chapa de Alckmin na disputa eleitoral, o que somaria minutos preciosos ao tempo de propaganda na TV do tucano. 

O cenário político nebuloso que o Brasil atravessa e o freio na recuperação econômica - já com expectativas de crescimento menores para este ano - preocupam o investidor. Como o ex-governador de São Paulo é considerado pelo mercado um dos presidenciáveis mais alinhados à agenda de reformas, um fortalecimento da sua candidatura empolga o setor financeiro. 

Os partidos do “centrão” chegaram a flertar com o ex-ministro Ciro Gomes, candidato da centro-esquerda pelo PDT e com um discurso que agrada menos o mercado, por ser considerado heterodoxo e oposto à agenda de reformas do governo Michel Temer.

As altas das ações das estatais ajudaram no desempenho positivo da Bolsa desta sexta. Essas empresas, além de terem grande valor de mercado, funcionam como um termômetro do ambiente político do País. No pregão do dia, os papéis da Petrobrás fecharam em alta de 4,84% (PN) e 2,54% (ON). Já os da Eletrobrás subiram 5,63% e 4,92% ON e PNB, respectivamente. O destaque foi o Banco do Brasil, com alta de 5,3%. 

Outubro. “A Bolsa reagiu principalmente ao efeito Alckmin. O mercado gostou do fortalecimento do tucano na disputa eleitoral. Há duas semanas, todo mundo dizia que a candidatura dele era inviável. Ele pode ter cerca de 40% do tempo de TV, é preciso ver se isso se reflete em votos”, diz José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB).

"Esse otimismo se justifica menos pela figura do ex-governador em si e mais pelo que ele representa: a continuidade das reformas do governo Temer, embora não esteja claro que tipo de reformas o futuro presidente vai poder fazer", diz. 

A percepção é que a Bolsa e o câmbio vão ficar instáveis ao longo dos próximos meses, conforme a aproximação das eleições. O otimismo com a candidatura de Alckmin, dizem, poderá ser rapidamente revertido, caso o tucano não avance nas próximas pesquisas eleitorais.

Para o economista-chefe da Spinelli, André Perfeito, a semana termina com perspectivas melhores para a centro-direita, mas é preciso esperar os próximos desdobramentos para ver. "Além de o apoio do Centrão não necessariamente se traduzir em votos, é preciso saber o preço da aliança, o quanto Alckmin teria de diluir as reformas para manter esse apoio." 

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