Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Incertezas fazem dólar fechar em R$ 3,81, maior cotação desde março de 2016

Com alta de 1,85%, cotação da moeda americana foi a maior desde março de 2016

Altamiro Silva Júnior, Paula Dias e Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 12h17
Atualizado 06 Junho 2018 | 00h31

Os receios de piora do quadro fiscal, a possibilidade de que um candidato não reformista vença a eleição presidencial e a piora do cenário internacional tiveram impacto negativo no mercado financeiro nesta terça-feira, 05. A Bolsa caiu 2,49%. O dólar subiu 1,85% e fechou a R$ 3,8101, maior cotação desde 3 de março de 2016, época em que cresciam as apostas de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

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Entre as principais moedas de países emergentes, o real foi a que mais perdeu valor ante o dólar. A moeda americana já subiu quase 15% só este ano e especialistas em câmbio apontam que o mais provável é que siga se fortalecendo no Brasil e em outros mercados. 

A forte oscilação no câmbio acabou por contaminar o Ibovespa, que caiu 2,49%, abaixo dos 77 mil pontos, e os juros futuros, que tiveram alta forte em todos os vencimentos. 

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“O que se expressa no dólar e na Bolsa é a percepção de que o conjunto de reformas não será continuado. O Planalto nitidamente não tem respaldo popular e a própria base está fritando o presidente em praça pública. O quadro é que os ajustes feitos não vão gerar crescimento”, diz André Perfeito, da Spinelli.

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“Com a proximidade das eleições, não é improvável que o dólar chegue a R$ 4. Também pesam no mercado as incertezas quanto à política de preços da Petrobrás”, lembra Perfeito.

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“Foi um dia nervoso, descolado do mercado externo. O que se percebe é que cada vez mais as eleições estão pesando, principalmente depois da greve dos caminhoneiros, que expôs a fragilidade do governo”, diz Hersz Ferman, da Elite Corretora.

“Com um quadro fiscal doméstico muito deteriorado e incerto e o cenário externo apontando para a redução do diferencial de juros, o Brasil vai perdendo atratividade aos olhos dos investidores estrangeiros.” 

"Foi um dia nervoso, descolado do mercado externo. O que se percebe é que cada vez mais as eleições estão fazendo preço, principalmente depois da greve dos caminhoneiros, que expôs a fragilidade do governo", disse Hersz Ferman, economista da Elite Corretora.

No pregão desta terça-feira, 05, as ações que mais caíram foram as do setor financeiro, que tiveram perdas de até 6,37%. Esse foi o caso de Banco do Brasil (ON), importante termômetro do risco político. Petrobrás (ON) e (PN) caíram 3% e 5,36%, respectivamente. Já as ações ON e PNB da Eletrobrás caíram 7,81% e 8,15%.

Reflexo. A moeda americana já vinha operando com elevação desde a abertura do negócios, influenciada também pelo movimento no exterior, que ganhou força após dados robustos da economia americana.

A atividade do setor de serviços dos Estados Unidos acelerou em maio, indicando crescimento econômico robusto no segundo trimestre, enquanto outros dados mostram que a abertura de vagas de trabalho atingiu máxima recorde em abril, superando contratações. 

Outros indicadores fortes de emprego dos Estados Unidos divulgados recentemente já haviam reavivado apostas de que o Federal Reserve, banco central do país, pode aumentar a taxa de juros mais três vezes este ano. As expectativas hoje são de mais dois aumentos. 

Juros elevados têm potencial para atrair à maior economia do mundo recursos aplicados hoje em outros mercados, como o brasileiro. Isso contribuiu para que o Banco Central do Brasil, então, fizesse uma intervenção mais pesada no câmbio. 

No exterior, o dólar também subiu frente a outras divisas de países emergentes, como o rand da África do Sul e o peso mexicano.

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