Dario Oliveira|Estadão
Dario Oliveira|Estadão

Com cenário externo favorável, dólar recua a R$ 3,84 e Bolsa tem alta de 0,97%

Bolsa acumulou alta de 2,11% na semana; real teve o melhor desempenho ante o dólar frente as principais moedas do mundo nesta sexta-feira, 13

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 18h38

A Bolsa e o dólar encerraram a semana com bom desempenho nesta sexta-feira, 13.  O Ibovespa fechou com avanço de 0,97%, aos 76.594 pontos, acumulando uma valorização de 2,11% na semana. A influência positiva nas ações veio dos ganhos dos índices acionários em Nova York, do petróleo e do recuo do dólar, além da expectativa favorável para a safra de balanços de empresas do segundo trimestre. Já o real teve o melhor desempenho ante o dólar frente as principais moedas do mundo. A moeda americana fechou em queda de 0,88%, cotada a R$ 3,8497.

+ ‘A ampliação de benefícios tributários é absolutamente inoportuna para o País’, diz Guardia

Em um pregão de noticiário doméstico escasso, a influência das bolsas internacionais voltou a prevalecer, com a contribuição da alta dos preços do petróleo e da queda do dólar ante o real. Nas mesas de operações, profissionais voltaram a citar um restabelecimento de fluxo externo no mercado brasileiro. Mesmo tímido, esse fluxo foi fundamental para o ganho de 2,11% do Ibovespa no acumulado da semana - a terceira consecutiva de ganhos.

A ausência de novos desdobramentos no atrito comercial entre Estados Unidos e China e a maior aproximação da Casa Branca com o Reino Unido mantiveram o clima mais ameno entre os investidores, que voltaram a buscar ativos de risco.

+ Juros americanos estão chegando a 'nível mais normal', diz presidente do Fed

Pela manhã, dados do sentimento do consumidor nos Estados Unidos abaixo das previsões também tiveram leitura positiva para o mercado de ações, por reforçar a expectativa de elevações de juros mais moderadas por parte do banco central americano.

Para Rafael Passos, analista da Guide Investimentos, a Bolsa brasileira está em uma "janela de respiro", com chances significativas de manutenção da tendência de alta no curto prazo. Isso porque o momento no cenário externo é positivo para ativos de risco, há ingresso de recursos na Bolsa e os próximos dias deverão ser de menor movimentação política, por conta do recesso parlamentar e legislativo.

"O quadro mais positivo para ativos de risco e a queda do dólar e dos juros deram fôlego adicional ao Ibovespa. Esse respiro pode continuar no curto prazo, mas não elimina o quadro de grande cautela com fatores internos, no caso das eleições, e no externo, com a tendência de redução da liquidez internacional", disse Passos.

Dólar.  Na segunda semana consecutiva sem intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, o dólar resiste a testar patamares mais baixos e vem oscilando na casa dos R$ 3,80 a R$ 3,90. Nesta sexta-feira, na ausência de notícias domésticas capazes de influenciar as cotações da moeda norte-americana aqui, a divisa seguiu basicamente o cenário externo, em dia marcado pelo aumento do apetite por risco de países emergentes. Com isso, o real teve o melhor desempenho ante o dólar hoje entre as principais moedas do mundo. O dólar à vista fechou em R$ 3,8497, perto da mínima, em baixa de 0,88%. Na semana, a queda acumulada foi de 0,43% e no mês até agora recua 0,72%.

O BC manteve a estratégia de outros dias e fez apenas o leilão diário de rolagem de contratos de swap (venda de dólar no mercado futuro), em operação que somou US$ 700 milhões. Operadores relatam que com a maior disposição a tomar risco de investidores externos, houve entrada de recursos no país. Uma captação externa da Cemig, de US$ 500 milhões, precificada na última quinta-feira, 12, também contribuiu para pressionar para baixo as cotações no câmbio. Foi a primeira emissão externa de uma empresa brasileira desde maio. A demanda pelos papéis chegou a US$ 1 bilhão.

"O dólar respondeu hoje aos movimentos externos", disse a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte. Apesar da trégua, ela ressalta que a tendência é de volatilidade para o câmbio. As eleições presidenciais, ainda bastante incertas, devem ganhar fôlego nas próximas semanas, com a proximidade da data limite para as convenções nacionais dos partidos, que vão escolher presidenciáveis e definir coligações. A data final é 5 de agosto. Já o prazo final para registrar candidatos é 15 de agosto.

No cenário externo, a estrategista do Ourinvest ressalta que prossegue a expectativa com os desdobramentos da tensão comercial entre China e Washington. Nesse cenário, dados de atividade da China devem ser monitorados de perto, para avaliar possíveis efeitos da guerra comercial. Na semana que vem, entre os números, serão divulgados da produção industrial chinesa de junho e o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre.

A tendência do dólar no médio prazo é de alta, afirma o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior. Para ele, no momento atual, o dólar perto dos R$ 3,80 é oportunidade de compra. Nas convenções partidária, o mercado vai particularmente monitorar quem o Centrão vai apoiar, se estará mais pendido para o lado de Geral Alckmin ou para o Ciro Gomes. "Se este bloco migrar para Ciro, o mercado não deve reagir bem". Em relatório a clientes, a Guide Investimentos ressalta que não vê a partir de agora "uma tendência de baixa do dólar por aqui. No curto prazo, o viés segue sendo altista".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.