Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Com ‘efeito Levy’, dólar sobe quase 3% e fecha cotado a R$ 2,68

Foi a maior alta porcentual em mais de três anos; ministro da Fazenda disse que não é intenção do governo ‘manter o câmbio artificialmente valorizado’

Agência Estado

30 de janeiro de 2015 | 11h50

Texto atualizado às 17h30

A bateria de notícias negativas, tanto no Brasil quanto no exterior, fez o dólar disparar ante o real. O avanço global da moeda americana, em meio a dados negativos divulgados na Europa e nos EUA, somou-se ao rebaixamento da classificação da Petrobrás pela Moody's e a declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no sentido de um câmbio mais livre para oscilar. Investidores comprados em derivativos cambiais aproveitaram a tendência e puxaram as cotações ainda mais, de olho na definição da ptax que liquidará os contratos que vencem em fevereiro. A moeda avançou 2,95% e fechou cotada a R$ 2,685. Foi a maior alta porcentual desde 23 de novembro de 2011. Na semana, a valorização acumulada é de 4%.

Pela manhã, os investidores já repercutiam a notícia de que a Moody's havia rebaixado o rating da Petrobras para BAA3, mantendo a perspectiva sob revisão para futura nova baixa. Mais do que um fator direto para o avanço do dólar, a Petrobras azedou o humor dos investidores por mostrar que a situação da economia brasileira (e de uma de suas principais empresas) é preocupante.

O Banco Central trouxe outro dado neste sentido: o setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais - com exceção de Petrobrás e Eletrobrás) apresentou déficit primário de R$ 12,894 bilhões em dezembro. Foi o pior resultado para o mês desde 2001, quando teve início a série histórica do BC. Em 2014, o déficit público primário foi de 0,63% do PIB.

A busca por dólares por conta das notícias ruins no Brasil era intensificada pelo exterior. A deflação de 0,6% na zona do euro em janeiro ante o mesmo mês do ano passado e o crescimento de 2,6% da economia americana no quarto trimestre de 2014, abaixo do avanço de 3,2% esperado, deram força à leitura de que a economia global também enfrenta dificuldades. Na dúvida, o mercado vendeu moedas de países exportadores de commodities e emergentes, como o real, indo em busca do dólar. A lira turca também foi bastante pressionada, chegando a marcar mínimas históricas ante o dólar, e o rublo era penalizado pelo corte de juros anunciado pelo BC da Rússia (de 17% para 15%). 

Não bastassem estes fatores, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, contribuiu para renovações de máximas do dólar pela manhã e também à tarde. Tudo porque, durante evento em São Paulo, ele abordou o câmbio. Ao responder pergunta de economista sobre como o governo planeja contribuir para a indústria brasileira, especialmente a que exporta, conseguir se reerguer, Levy afirmou que o câmbio é uma variável que não se pode controlar com facilidade e disse não ter a intenção de manter o câmbio "artificialmente valorizado". "Não faremos grandes operações no câmbio."

Para o mercado, a declaração de Levy foi no sentido de um dólar mais alto ante o real, sem artificialismos. Vale lembrar que desde agosto de 2013 o Banco Central vem fazendo operações diárias de swap cambial (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), o que ajuda a segurar as cotações. Hoje, por exemplo, foram vendidos 2 mil contratos (US$ 99,0 milhões).

Como hoje era o dia de determinação da ptax para liquidação dos contratos cambiais de fevereiro, os investidores comprados (apostando na alta da moeda) aproveitaram para impulsionar ainda mais o dólar. No fim, a ptax encerrou aos R$ 2,6623 (+2,55%), sendo que o movimento do mês ainda acabou sendo mais favorável aos comprados (alta de 0,23% em janeiro). 

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