Com expectativa de alta da gasolina, Petrobrás sustenta ganhos na Bolsa

Ações ordinárias e preferenciais da estatal registram altas na casa dos 4%; discussões sobre reajuste dos combustíveis voltaram à tona

Antonio Pita, Fernanda Nunes, Vinicius Neder, André Magnabosco , Agência Estado - Atualizado Às 17h10

11 de agosto de 2014 | 12h28

Um dia após a presidente Dilma Rousseff afirmar que “em algum momento do futuro” os preços da gasolina e do óleo diesel serão reajustados, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, afirmou  nesta segunda-feira, 11, que a estatal “está rumando” para igualar seus preços às cotações internacionais de combustíveis. 

O mercado viu nos comentário uma possibilidade de aumento próximo nos preços dos combustíveis, o que significaria um reforço no caixa da estatal. Essa perspectiva, somada ao crescimento da produção em julho, fez as ações da Petrobrás dispararem na Bolsa: as ordinárias (ON, com direito a voto) subiram 3,47% e as preferenciais (PN, sem voto) avançaram 4,30%. O avanço dos papéis da estatal ajudou a Bovespa a fechar em alta de 1,87%.

Segundo Barbassa, igualar os preços é uma meta perseguida pela empresa e, mensalmente, acompanhada pelo conselho de administração da petroleira, presidida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A mensagem já havia sido dada pela presidente da estatal, Graça Foster, em carta divulgada com o balanço financeiro, quando a Petrobrás anunciou um lucro de R$ 10,352 bilhões no primeiro semestre, cifra 25% abaixo da primeira metade de 2013.

Como suas refinarias não dão conta do consumo interno de gasolina e diesel, a Petrobrás é obrigada a importar. Nos últimos anos, o preço da gasolina no exterior (atrelada à cotação do petróleo) e o dólar, que causa impacto nos custos de importação, subiram mais do que os preços nacionais dos combustíveis, controlados pelo governo. Com a defasagem, a estatal acumulou perda de receita de R$ 60 bilhões de 2011 a 2013, segundo o Bradesco BBI.

Assim como Dilma, Barbassa disse que não há data marcada para o reajuste, mas reforçou que a Petrobrás continua “com a meta interna de alinhar os preços internos aos internacionais”. “Estamos rumando para o atendimento (da meta)”, disse, em teleconferência.

Dívida. Também pesou para a alta das ações a avaliação do mercado de que não há outra saída senão o reajuste para reduzir o endividamento da companhia. A Petrobrás tem a meta de reduzir a relação entre geração de caixa e dívida líquida (o principal indicador do endividamento das empresas) para 2,5 vezes até o fim de 2015. No segundo trimestre, essa relação ficou em 3,94 vezes. 

O aumento da dívida da Petrobrás é crescente para arcar com os gigantescos investimentos no pré-sal. Para Paula Kovarsky, analista do Itaú BBA, a conta só fechará se a estatal aplicar reajustes “relevantes”.

Nos cálculos dos analistas Luiz Carvalho e Filipe Gouveia, do HSBC, um aumento de 10% no preço da gasolina tem impacto equivalente a uma adição de 100 mil barris por dia no volume produzido pela Petrobrás. O ganho seria de cerca de US$ 2 bilhões na geração de caixa anual da companhia.

Ainda assim, Auro Rozenbaum, analista do Bradesco BBI, estranhou o fato de o reajuste de preços voltar ao discurso da presidente Dilma e dos executivos da Petrobrás, pois houve redução na defasagem de preços por causa do câmbio e da cotação do barril de petróleo no exterior.

Segundo Rozenbaum, a Petrobrás perdeu R$ 4,9 bilhões com a diferença de preços no segundo trimestre, ante R$ 6,3 bilhões no primeiro trimestre. A defasagem recuou de 16,6% para 16% na gasolina e de 10,3% para 4,2% no diesel. Em parte por isso, a equipe de Rozenbaum continua apostando em aumento de preços somente após as eleições e se a inflação permitir - pelo lado da inflação, a variação de 0,01% no IPCA em julho poderia dar esse espaço para o aumento da gasolina. 

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