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Com exterior, dólar cai e fecha no menor nível desde outubro

Moeda terminou sessão cotada a R$ 3,12 com expectativa de que o BC dos EUA manterá a taxa de juros no país; tensão no cenário doméstico fez Bolsa cair 2,62%

Reuters

30 de janeiro de 2017 | 17h28

O dólar abriu a semana em queda de 0,74% com a entrada de recursos estrangeiros e encerrou a sessão desta segunda-feira, 30, cotado a R 3,1261, no menor nível desde 25 de outubro de 2016, quando encerrou a R$ 3,1086. Investidores acreditam que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve manter a atual taxa de juros nos Estados Unidos na faixa entre 0,50% e 0,75%. A decisão será anunciada nesta quarta-feira, 1º.

Já a Bolsa fechou os negócios em queda de 2,62%, aos 64.301,73 pontos, em um pregão em que as empresas de infraestrutura registraram as principais quedas do Índice Bovespa por conta das tensões no cenário doméstico.

A economia norte-americana avançou menos do que o previsto no quarto trimestre de 2016, o que deve reduzir a pressão inflacionária e também as apostas de que o Fed possa aumentar o juro básico. Taxas mais elevadas podem atrair à maior economia do mundo recursos aplicados em outras praças, como a brasileira.

No exterior, o dólar subia sobre uma cesta de moedas, com investidores preocupados com as implicações das restrições de imigração nos Estados Unidos que colocou os holofotes de volta sobre os riscos da postura protecionista do presidente Trump.

O BC brasileiro vendeu o lote integral de 14 mil swaps tradicionais, equivalente à venda futura de dólares, e assim rolou os vencimentos de fevereiro, equivalente a 6,431 bilhões de dólares. A autoridade monetária não costuma fazer leilões no último pregão do mês.

Ações. Depois de acumular ganhos de 9,64% em janeiro, a Bovespa cedeu a uma correção, tendo como principal referência a queda das bolsas norte-americanas, em meio aos ruídos envolvendo o presidente Donald Trump. O noticiário foi intenso no Brasil e nos Estados Unidos.

Por aqui, a homologação de 77 delações de executivos da Odebrecht e a prisão do empresário Eike Batista foram acompanhadas de perto. No front externo, a principal variável do dia foi o imbróglio envolvendo Donald Trump e a Justiça dos Estados Unidos em torno da restrição ao ingresso de determinados estrangeiros aos Estados Unidos. Nenhum desses eventos teve efeito direto sobre os negócios na Bovespa, segundo analistas.

"A prisão de Eike Batista teve impacto zero na Bolsa e a homologação das delações teve pouca influência, embora o mercado prefira um ambiente de menor ruído com a Operação Lava Jato", afirmou Vladimir Pinto, gestor de renda variável da Grand Prix Asset. Na opinião do gestor, a realização de lucros se valeu de um forte ruído no mercado norte-americano, onde, aliás, também havia "gordura" para queimar. "O modus operandi de Trump, de colocar o bode na sala e depois negociar sua retirada, de certa maneira encerrou a lua-de-mel dos mercados locais com o novo presidente", afirma.

O analista ressalta ainda que o cenário interno se mostra atrativo para o investidor da renda variável, que vem apostando nos efeitos positivos da queda dos juros e no avanço das reformas estruturais no Congresso. "No que diz respeito ao cenário interno, segue a aposta de que o pior já passou e que as empresas podem ingressar num ciclo positivo", diz.

Entre as ações que mais contribuíram para a queda da Bolsa estiveram aquelas ligadas a commodities e também os bancos. Com o feriado do Ano Novo na China, não houve atualização nos preços do minério de ferro. Essa ausência também favoreceu uma correção nos preços das ações de empresas da cadeia do aço, grandes destaques de alta nas últimas semanas. Vale ON e PNA tiveram quedas de 4,30% e 5,17%, respectivamente. No setor financeiro, Itaú Unibanco PN caiu 2,13% e Banco do Brasil ON, 2,77%. /COM PAULA DIAS, DA AGÊNCIA ESTADO

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