Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após subir 1,24% com tensões entre EUA e Irã, dólar perde força e fecha a R$ 3,56

A moeda americana, que alcançou R$ 3,59 no pregão desta terça, fechou com ganho de 0,46%, renovando a maior cotação desde junho de 2016; Bolsa fechou em leve alta de 0,29%

Paula Dias e Ana Paula Ragazzi, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 13h12
Atualizado 08 Maio 2018 | 23h27

Em uma sessão marcada pela volatilidade, o dólar manteve a trajetória de alta generalizada após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado nesta tarde que o país se retirou do acordo nuclear com o Irã. A moeda americana fechou com ganho de 0,46% no segmento à vista, a R$ 3,5685, renovando a maior cotação desde junho de 2016, após ter chegado ao patamar de R$ 3,59 na máxima do pregão.

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A avaliação do mercado é que o real continuará sob pressão, por conta do cenário geopolítico, que traz tantas incertezas quanto o quadro eleitoral doméstico. Num cenário de tantas dúvidas, as cotações devem continuar apresentando alta volatilidade. Nesta terça-feira, 08, a sessão começou com muita expectativa em relação à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de abandonar o acordo nuclear com o Irã. Depois de muita especulação nos mercados, o anúncio oficial saiu por volta das 15h15 e não mais afetou os ativos por aqui.

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O dólar já havia abandonado a tendência forte de alta praticamente duas horas antes, pouco depois das 13h, quando foi divulgado que a Argentina negocia uma linha de apoio financeiro com FMI. A Argentina vive uma crise de confiança, por conta da alta inflação e dos problemas fiscais, que levou o país a elevar os juros de 27% para 40% nos últimos dias, numa tentativa de conter a desvalorização de sua moeda.

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Na última segunda-feira, a S&P chegou a mostrar preocupação com um aumento dos prêmios de risco na América latina, por conta dos problemas argentinos e das incertezas de anos eleitorais no Brasil e no México. Operadores, no entanto, fizeram questão de ressaltar as diferenças entre Brasil e Argentina, especialmente no tamanho das reservas cambiais.

Bruno Foresti, gerente de câmbio do Ourinvest, lembra que a tendência para o dólar é de valorização em relação ao real, e as incertezas do cenário alimentam a alta volatilidade dos negócios. "O cenário geopolítico é muito nebuloso, com a guerra comercial, hoje a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã, a expectativa de mais elevações dos juros americanos. Isso leva ao fortalecimento do dólar em relação a outras moedas", afirmou.

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Bolsa.  Depois de cinco quedas consecutivas, com as quais perdeu mais de 4%, o Índice Bovespa teve um pregão de leve recuperação nesta terça-feira, mesmo em meio às quedas das bolsas de Nova York e dos preços do petróleo. O indicador terminou o dia aos 82.956,04 pontos, com alta de 0,29% e R$ 12,1 bilhões em negócios.

O sinal positivo foi consolidado somente no período da tarde, uma vez que a manhã foi marcada pela volatilidade, com alternância de altas e baixas. Na primeira etapa dos negócios, o Ibovespa chegou a cair 0,62%. À tarde, alcançou valorização máxima de 0,84%.

A instabilidade veio principalmente do cenário internacional, que mais cedo foi tomado pela expectativa em torno do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o acordo nuclear com o Irã. As especulações levaram os preços do petróleo a caírem até 4% nos mercados futuros.

As fortes perdas da commodity chegaram a impactar as ações da Petrobras, mesmo após a empresa ter anunciado resultados melhores que o esperado. A petroleira reportou lucro líquido de R$ 6,961 bilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 56% em relação a igual intervalo de 2017 e uma reversão em relação ao prejuízo de R$ 5,477 bilhões dos três meses imediatamente anteriores. Após Trump ter confirmado a saída do acordo nuclear, a queda dos preços do petróleo desacelerou, o que abriu caminho para uma melhora das ações da Petrobras. O papel preferencial terminou o dia em alta de 1,15% e o ordinário ficou estável.

"De maneira geral, visão do balanço de Petrobras foi positiva. E ainda há perspectiva positiva com a questão da cessão onerosa e dos desinvestimentos da companhia", observou Vítor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.

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