Com GSM, ações da Vivo caem agora, mas podem subir no longo prazo

A migração de tecnologia da Vivo do CDMA para o GSM pode significar a salvação da empresa - e boa rentabilidade para suas ações -, mas apenas no longo prazo, dizem analistas. No curto prazo, a tendência é que as ações da Vivo continuem perdendo valor. Na sexta-feira, dia em que a imprensa internacional divulgou que a empresa já havia decidido pela migração, as ações preferenciais caíram 4,36%. (Após o fim dos negócios na Bolsa, a Vivo divulgou nota confirmando que iniciou estudos a respeito da migração.) A mudança é vista pela maioria dos analistas como a solução para os atuais dilemas da operadora. O entendimento é que, ao optar por uma tecnologia de maior escala global (GSM), a empresa conseguirá ampliar sua competitividade, estancar a perda de participação no mercado, melhorar sua rentabilidade no futuro e evitar perdas com fraudes. Mas, apesar de admitirem que, no futuro, a medida poderá se reverter em ganhos, os especialistas são unânimes em ressaltar que o cenário de curto prazo para a Vivo se complicará ainda mais, caso a mudança seja mesmo efetivada. O crescimento da dívida é ponto nevrálgico da discussão. Por isso, as ações da Vivo estiverem entre as maiores perdas de sexta-feira. Para os analistas, a complexidade do processo é fruto de uma demora da empresa em admitir que a mudança da tecnologia era saída para o dilema do CDMA - que teria inviabilizado a cobertura nacional, trazido desafios de escala pelo custo mais elevado do aparelho (maior gasto com subsídio ao cliente) e ainda exposto a empresa à clonagem e às fraudes. O analista Felipe Cunha, do Banco Brascan, destacou que os frutos virão em um horizonte distante e, antes disso, a empresa aumentará significativamente o endividamento para realizar os investimentos necessários no processo. O cálculo preliminar de Cunha aponta para uma redução da ordem de 20% no preço-alvo (para 12 meses) para a Vivo em razão do investimento necessário. Embora a companhia não tenha apresentado nenhum valor, a Telefónica, quando falou sobre o tema em Valência (Espanha), forneceu estimativas de US$ 2 bilhões, por um prazo de três anos. O analista do ABN Amro Real Corretora, Alex Pardellas, destacou que, além dos gastos com a rede, a empresa sofrerá, possivelmente, com aumento no custo de retenção de usuário pela esperada necessidade de incentivo de migração do CDMA para o GSM, eventual elevação da taxa de desconexão (churn) e do custo de manutenção. Caso a companhia implemente o padrão europeu até o final deste ano, como disse o presidente da Portugal Telecom, ficará com três redes em operação - TDMA, CDMA e GSM. Na prática, isso significa pressão adicional na rentabilidade. Na opinião de Roger Oey, do Banif Investment Banking, a migração para o GSM poderia melhorar a situação da companhia em um intervalo estimado de dois anos. Até lá, reconhece ele, o cenário pioraria, especialmente pelo aumento no endividamento. Entretanto, a partir de então, a operadora colheria frutos de competir em iguais condições com as concorrentes TIM e Claro e ainda poderia recuperar ou, no mínimo, estancar a perda de participação no mercado com atuação em Minas Gerais e parte do Nordeste. Já o especialista do Bear Stearns, Alexandre Constantini, têm dúvidas substanciais sobre se a migração agregará valor à companhia e é voz distinta entre os analistas do setor. Ele entende que parte dos dilemas atuais do CDMA seriam superados com a evolução para a 3ª Geração, na qual o custo de rede e de terminais será elevado para todas as operadoras, que competirão em situação de igualdade. O analista não vê razões para, justamente no momento de maturação do mercado, a empresa decidir fazer este investimento e aumentar o intervalo para retorno de seus gastos no País, especialmente por se tratar de uma rede mais atrasada em relação à atual infra-estrutura da empresa.

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