Com guerra, preço do petróleo pode triplicar, diz saudita

O embaixador da Arábia Saudita nos EUA, Turki al-Faisal, disse que os preços do petróleo poderão duplicar ou mesmo triplicar, caso fracassem as negociações sobre o programa nuclear iraniano e os EUA cheguem a atacar o Irã. "Os iranianos indicaram que estão interessados em dialogar com o Conselho de Segurança da ONU sobre aquela questão. O que estamos encorajando é que esse processo continue. Achamos que um conflito militar seria contraproducente. Sem dúvida, estamos falando de petróleo hoje a US$ 70 por barril, e veríamos esse preço duplicar ou triplicar como resultado de um conflito", disse Al-Faisal durante conferência promovida pela Associação de Energia dos EUA. O embaixador disse não saber o que poderá acontecer se os EUA escolherem a opção militar para lidar com o Irã. "Mas, se houver um conflito militar, se bombas forem jogadas, se navios forem destruídos, se instalações do nosso lado do Golfo Pérsico forem alvos, a mera idéia de alguém disparar um míssil contra uma instalação faria o preço do petróleo disparar astronomicamente. Não apenas as nossas instalações, mas todo o Golfo se tornaria um inferno de reservatórios de combustível explodindo e instalações sendo fechadas", acrescentou. Al-Faisal disse ainda que "os preços do petróleo estão altos demais. Mas nossos especialistas, que conhecem a indústria como ninguém, também acreditam que os mercados estão bem abastecidos. Está claro que as preocupações geopolíticas fizeram crescer os temores quanto à segurança em energia e colocaram uma pressão altista sobre os preços". Ele estima que esses temores estejam adicionando de US$ 20 a US$ 30 ao preço de cada barril de petróleo. O embaixador também afirmou que a Arábia Saudita está investindo pesadamente em capacidade nova de produção e também de refino de petróleo pesado, já que a maior parte da capacidade ociosa de produção é desse tipo de petróleo. Segundo Al-Faisal, a Arábia Saudita foi incapaz de vender 500 milhões de barris de petróleo pesado adicionais no último ano, o que levou o governo do país a concluir que existe oferta abundante do produto no mercado. Ele acrescentou que os preços dos derivados estão altos principalmente por causa da falta de capacidade de refino e das exigências dos "combustíveis de butique" usados nos EUA. Para o embaixador, essas fórmulas especiais de gasolina exigidas por diferentes cidades norte-americanas estão adicionando custos de transporte e de seguros aos preços. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

20 de junho de 2006 | 19h46

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