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Com incertezas sobre petróleo, dólar sobe para R$ 3,39 e Bolsa fecha em baixa

Mercado reagiu à queda nos preços da commodity; reunião que deve definir rumo das cotações acontece nesta quarta-feira, 30

Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2016 | 18h25

O dólar comercial à vista fechou em alta de 0,26% nesta terça-feira, 29, aos R$ 3,3951. As dúvidas sobre um acordo da Opep para congelar a produção de petróleo fizeram o preço da commodity cair no mercado e externo e pressionaram as moedas de países emergentes, inclusive o real brasileiro. Na máxima, a moeda chegou a R$ 3,4125.

O ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazrouie, disse que não vai desistir de fechar um acordo para cortar a produção do petróleo no âmbito da Opep, segundo a Dow Jones. O ministro também declarou que outros produtores de petróleo podem aderir ao acordo quando houver consenso. A reunião está marcada para esta quarta-feira, 30.

No mercado de ações, o Índice Bovespa encerrou os negócios em queda de 2,97%, aos 60.986,51 pontos, com as cotações do petróleo e o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. No terceiro trimestre, a economia americana teve um crescimento anualizado de 3,2%, acima das expectativas do mercado, o que reforça a perspectiva de um aumento na taxa básica de juros do país pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). 

Nesse contexto, a Bovespa reforçou queda observada desde a abertura, com ajuste e realização de lucros após os ganhos de da véspera. As ações de Vale, Petrobrás e siderúrgicas dominaram a lista de principais quedas do Ibovespa. Os bancos, que têm peso importante no índice, fecharam nas mínimas do dia. As pioras nas cotações do minério de ferro também direcionaram o movimento de venda. Somente as ações do setor de papel e celulose subiram, beneficiadas por novos aumentos do preço da celulose na China e na Europa.

As ações da Vale e da Bradespar, que já vinham em baixa, acentuaram as perdas nos minutos finais de pregão. Bradespar PN ficou na ponta da lista (-7,22%), e fechou na mínima. Vale PNA caiu 4,18%, e ON recuou 5,90%. O minério de ferro com pureza de 62%, negociado no porto de Tianjin na China, caiu 6,4% no mercado à vista chinês, chegando a US$ 75,1 a tonelada seca, de acordo com dados do The Steel Index.

A queda do petróleo levou junto as ações da Petrobrás, que caíram 5,17% (PN) e 5,28% (ON). Na Nymex, em Nova York, o barril do WTI para janeiro recuou 3,92%, a US$ 45,23. Na ICE, em Londres, o tipo Brent para fevereiro cedeu 3,84%, a US$ 47,32.

As siderúrgicas seguiram a mesma tendência da Vale, com Usiminas PNA (-6,11%), CSN ON (-4,57%), Gerdau PN (-5,20%, na mínima) e Metalúrgica Gerdau PN (-3,66%). Um operador lembra que estes papéis acumulam alta em novembro, o que estimula uma realização de lucros em um dia como o de hoje.

Hoje, o Instituto Aço Brasil anunciou a redução de suas projeções para o nível de atividade do setor neste ano. A nova estimativa para a produção de aço bruto no País em 2016 é de 30,7 milhões de toneladas, o que representa queda de 7,6% em relação a 2015. Se confirmado, será o menor volume registrado desde 2009. A projeção anterior, divulgada em junho, era de uma queda na ordem de 4,3%, para 31 milhões de toneladas.

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