Com indicadores dentro do esperado, juros ficam de lado

Mercado futuro praticamente não reagiu aos indicadores domésticos, que vieram dentro do esperado

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

19 de setembro de 2012 | 16h56

O mercado futuro de juros praticamente não reagiu aos indicadores domésticos divulgados nesta quarta-feira uma vez que vieram em linha com o esperado. Assim, a maioria das apostas para o encontro de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom) segue concentrada na manutenção da Selic em 7,50%. Os dois indicadores de confiança da indústria em setembro sinalizam dias melhores para o setor, enquanto os índices de preços no atacado e no varejo trazem o comportamento já projetado pelos analistas em relação ao impacto do avanço recente das commodities agrícolas. No exterior, o alívio monetário determinado pelo Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) não mexeu com as taxas, mas pode exigir ainda mais esforço do governo para segurar o dólar acima de R$ 2,00.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (com apenas 90.325 contratos) estava na mínima de 7,30%, de 7,31% no ajuste. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (209.930 contratos) marcava 7,84%, ante 7,82% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (52.595 contratos) indicava 9,25%, nivelado ao ajuste. O DI janeiro de 2021, com giro de 2.670 contratos, apontava 9,90%, ante 9,89% no ajuste.

Entre os dados domésticos conhecidos nesta quarta-feira o Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da Sondagem da Indústria de setembro mostrou um avanço de 1,1% em relação ao resultado de agosto, atingindo 105,2 pontos, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), por sua vez, passou de 84% em agosto para 84,1% em setembro. Outro levantamento, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de setembro chegou a 57,4 pontos, de 54,5 em agosto.

No âmbito dos preços, a inflação no atacado sinalizou já ter absorvido boa parte da alta das commodities agrícolas devido à seca nos Estados Unidos. A FGV informou que o IGP-M ficou em 0,84% na segunda prévia de setembro, ante avanço de 1,38% em igual prévia do mês anterior. Enquanto o IPA-M desacelerou para 1,11% na prévia, após alta de 1,94% em igual medição de agosto, o IPC-M acelerou para 0,37%, de 0,26%, em igual período. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, registrou alta de 0,35% na segunda quadrissemana de setembro, ante 0,31% na primeira prévia deste mês e 0,21% na segunda medição de agosto. O grupo Alimentação apresentou forte aceleração, para 1,71%, de 1,46% na primeira prévia de setembro.

Mas ainda que a inflação atual não traga surpresas, o mercado não comprou o discurso do governo em relação ao comportamento futuro dos preços. Um dos motivos para o ceticismo do mercado em relação à inflação está na sinalização do governo de que fará o possível para manter o dólar nos patamares atuais. Isso impediria que um alívio cambial compensasse a pressão de preços oriunda de um cenário internacional um pouco melhor do que o atual.

E a tarefa do governo para segurar o dólar pode ficar ainda mais difícil. O BoJ seguiu o exemplo do Fed e, por unanimidade, estendeu seu programa de compras de ativos em mais seis meses, de junho de 2013 para dezembro do mesmo ano, o que significa um aumento nas compras de ativos em 10 trilhões de ienes (cerca de US$ 120 bilhões), de 70 trilhões de ienes para 80 trilhões de ienes (US$ 1,01 trilhão). Além disso, membros do Banco da Inglaterra (BoE) sentiram que estímulos adicionais provavelmente serão necessários no futuro em razão da perspectiva fraca e incerta sobre o crescimento econômico, segundo a ata da última reunião.

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