Com inflação tranqüila, juro abre em baixa na BM&F

O mercado futuro de juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) deve permanecer no banho-maria até o final da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), às 15h15, que vai definir a nova taxa de juros norte-americana. Às 10h16, a projeção da taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2008 estava em 14,65%, ante 14,67% ontem e ajuste a 14,67%. Uma alta de 0,25 ponto porcentual da taxa básica do país é esperada, mas as atenções se voltam para o comunicado que se seguirá à reunião. Se houver uma sinalização de pausa na alta dos juros norte-americanos, vai ter festa nos mercados; caso contrário, o juro dos títulos do Tesouro dos EUA poderá mais uma vez levar os negócios ao terreno negativo. O relatório do Tesouro norte-americano sobre a política cambial dos parceiros comerciais dos EUA, à tarde, pode ou não trazer volatilidade ao câmbio, dependendo do seu conteúdo, com eventuais reflexos aqui, Com a inflação doméstica, está tudo bem. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, divulgado pela manhã, ficou em 0,21%, abaixo do resultado de março (0,43%). O desempenho também ficou levemente abaixo da mediana (0,23%) das previsões, que variavam de 0,14% a 0,32%. Os núcleos vieram dentro do esperado e todos em queda em relação aos núcleos do IPCA de março. O IPCA passou a acumular 1,65% no ano até abril e 4,63% em 12 meses. Em março, a taxa acumulada em 12 meses era de 5,32%. No ano passado, até abril, era de 2,68%. Em abril do ano passado, o IPCA foi de 0,87%. Mais cedo, já tinham sido divulgados o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de abril (0,02%) e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da primeira quadrissemana (0,08%). O IGP-DI de abril ficou dentro das expectativas, mas um teto baixo e com uma desaceleração na queda dos agrícolas já prevista pelo mercado. O IPC-Fipe veio exatamente na mediana das previsões. O mercado de juros terminou o dia de ontem bem mais aliviado com o resultado do leilão de venda de NTN-Bs (títulos corrigidos pelo IPCA), quando ficou claro que o Tesouro Nacional cumpriu a determinação de não vender papéis a qualquer preço, como já afirmara o secretário Carlos Kawall antes. O Tesouro não vendeu a oferta integral dos papéis do Grupo 2 (vencimentos mais longos), e as taxas pagas pelos demais papéis ficaram abaixo tanto do consenso de mercado como da referência Andima. Além disso, foi percebido pelos operadores fluxo de capital estrangeiro na compra das NTN-Bs ontem. Assim, o mercado não deve carregar um prêmio de risco salgado para o leilão de prefixados de amanhã. Mas eventual alta nos juros futuros hoje ainda poderá ser creditada aos movimentos para o leilão e, claro, acontecerá se o sinal do FOMC for ruim. No geral, o mercado é bom, dizem os operadores, ainda mais com os índices de inflação apresentados. "O mercado só está esperando parar a volatilidade do treasuries (juro dos títulos do Tesouro dos EUA) para melhorar", afirmou um operador.

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