Com leilão do BC e expectativa em relação ao Fed, dólar tem dia de queda

Mercado aposta que o Federal Reserve poderá anunciar, na quarta-feira, a continuidade de seu programa mensal de estímulos de US$ 85 bilhões

Silvana Rocha, Agência Estado

28 de outubro de 2013 | 10h13

O dólar abriu em queda no Brasil nesta segunda-feira, 28. ÀS 10h30, a moeda caía 0,14%, a R$ 2,1860. O sinal negativo predomina influenciado pelo leilão de swap cambial (venda de dólar no mercado futuro) do Banco Central. Além disso, segundo um operador de uma corretora, o mercado já precifica mais uma tranche de rolagem do vencimento de swap cambial de novembro (total de US$ 8,9 bilhões) hoje a partir das 14h30. Também aposta que o Federal Reserve poderá anunciar, na quarta-feira, a continuidade de seu programa mensal de estímulos de US$ 85 bilhões.  

No leilão, o BC vendeu o lote integral de swap cambial ofertado, num total financeiro de US$ 496,2 milhões. O montante foi dividido em dois vencimentos. Para 5 de março de 2014, o BC comercializou apenas 1 mil papéis, totalizando US$ 49,8 milhões. Para 2 de junho de 2014, foram vendidos 9 mil contratos ou cerca de US$ 450 milhões.  

Além disso, a proximidade do fim de mês e das rolagens de contratos futuros de câmbio na BM&FBovespa deve deixar as cotações da moeda norte-americana voláteis. Isso porque os bancos carregam uma posição vendida líquida em derivativos cambiais de quase US$ 27,603 bilhões e também estão vendidos em dólar à vista em aproximadamente US$ 10,9 bilhões.

Estar vendido em câmbio significa apostar na queda do dólar. De outro lado, os fundos de investimento nacionais detêm no mercado futuro uma posição comprada líquida em derivativos cambiais (cupom cambial-DDI e dólar futuro) de quase de US$ 7,903 bilhões, enquanto os investidores estrangeiros estão comprados líquidos nesses contatos em quase US$ 18,685 bilhões. Esses agentes vão defender suas posições esta semana a fim de tentar maximizar ganhos ou minimizar eventuais perdas, o que tende a trazer pressão aos negócios.

Muitos investidores apostam que o dólar vai sofrer um novo recuo em novembro devido a especulações de que Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não vai reduzir o seu programa mensal de estímulos à economia de US$ 85 bilhões.

Essa possibilidade faz o Banco Central redobrar a cautela na rolagem de swap cambial de novembro, cujo vencimento totaliza quase US$ 8,9 bilhões. Na semana passada, o BC rolou perto de US$ 3 bilhões desse compromisso. A autoridade também anunciou mais três tranches dessa rolagem para esta semana. A oferta na rolagem hoje é de até 20 mil contratos (quase US$ 1 bilhão), dividida em dois vencimentos: 2 de maio de 2014 e 1 de outubro de 2014. A operação está programada para ocorrer das 14h30 às 14h40, com resultado previsto para ser conhecido a partir das 14h50.

A expectativa de alguns agentes de câmbio é de que o BC decidirá a cada dia o montante da oferta diária para a rolagem desse vencimento. O objetivo seria calibrar a oferta dessa rolagem de modo a evitar movimentos acentuados na taxa de câmbio, tanto de baixa como de alta, disse um operador de uma corretora. Caso repita nas próximas duas sessões a oferta de 20 mil contratos por dia - como também fez na semana passada -, a rolagem desse vencimento não seria integral, porque cerca de US$ 2,9 bilhões seriam retirados do mercado. Essa incerteza tende a influenciar as decisões de negócios.

Na pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central hoje, as estimativas para a inflação deste ano mostraram estabilidade. A mediana para o IPCA de 2013 seguiu em 5,83%, como já estava na semana passada. Para 2014, a mediana das previsões para a inflação caiu levemente, de 5,94% para 5,92%.

Para o curto prazo, a projeção na Focus para o IPCA de outubro foi ajustado de 0,56%, patamar em que se encontrava há um mês, para 0,57%; e as estimativas para o índice em novembro permaneceram em 0,67% ante o porcentual de 0,65% registrado quatro semanas antes. A expansão do PIB projetada para 2013 seguiu em 2,50% e para 2014 desacelerou de 2,20% para 2,13%. A estimativa para a taxa Selic permaneceu em 10% ao ano para fim de 2013 e em 10,25% para fim de 2014. A taxa de câmbio projetada também se manteve em R$ 2,25 para fim de 2013 e em R$ 2,40 para fim de 2014, enquanto o câmbio médio seguiu em R$ 2,16 e em R$ 2,34, respectivamente. Do mesmo modo, o déficit em c/c em 2013 seguiu em US$ 79 bilhões e para 2014, caiu de US$ 74,40 bilhões para US$ 73,35 bilhões.

No mercado internacional, os investidores monitoram os movimentos na China em torno das propostas de reformas. O Centro de Pesquisa de Desenvolvimento propôs reformas profundas para o partido Comunista Chinês criar em novembro, visando um governo com a economia mais aberta e transparente que vai fazer com que o yuan registre uma grande liquidação internacional e que seja uma moeda de investimento dentro de 10 anos.

Embora sem detalhes, o relatório propõe uma série de mudanças para o cenário de desenvolvimento econômico e social da China, apelando para reformas que vão desde a introdução de ações coletivas para a abertura dos serviços de telecomunicações assim como o estabelecimento de um mercado de títulos municipais. De acordo com o relatório, a internacionalização do yuan "vai forçar as reformas nos mercados cambiais, dos investimento, dos mercado de títulos e das empresas de moeda de instituições financeiras".

Tudo o que sabemos sobre:
dólarBC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.