Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Com melhora no cenário externo, dólar cai 2,6% e fecha na menor cotação em quase um ano

Moeda norte-americana encerrou cotada a R$ 3,3046; bolsas têm dia de alívio após fortes perdas diante do 'Brexit'

Karla Spotorno e Ana Luísa Westphalen, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2016 | 12h12
Atualizado 28 Junho 2016 | 19h29

O dólar fechou em queda de 2,57%, cotado a R$ 3,3046. É o menor valor desde 23 de julho de 2015. O dia foi de recuperação nas principais praças financeiras, após a vitória do Brexit ter provocado estresse nos mercados financeiros nos dois últimos dois pregões.

A Bolsa brasileira mostrou maior alta em sintonia com os ganhos dos principais índices americanos de ações. O Ibovespa - termômetro da bolsa brasileira - subiu 1,55%, aos 50.006 pontos. Em Nova York, o Dow Jones avançou 1,57%, e o S&P500, 1,78%. O Nasdaq subiu 2,12%. 

Os investidores seguiram atentos aos desdobramentos da saída do Reino Unido da União Europeia e monitoram a reunião da cúpula da UE em Bruxelas, que tem como tema central o "Brexit". Os agentes também avaliam dados que mostraram os Estados Unidos crescendo mais do que o inicialmente estimado. A terceira leitura do PIB norte-americano do primeiro trimestre mostrou avanço de 1,1% em valores anualizados, acima da segunda leitura, divulgada no mês passado, com alta de 0,8%. Economistas esperavam expansão de 1%.

Inflação. No cenário doméstico, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) trouxe a percepção de que um ciclo de afrouxamento monetário pode não vir tão rápido. De forma geral, a mensagem de Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, de maior compromisso com o centro da meta de inflação e, consequentemente, com um aperto monetário mais prolongado acaba afetando indiretamente o mercado de câmbio.

Na coletiva, o economista repetiu o que havia falado durante a sabatina no Senado. Afirmou que o BC aprecia regime de câmbio flutuante dentro do tripé macroeconômico. Disse que a autoridade monetária "poderá usar ferramentas cambais mas com parcimônia" e que "poderá reduzir posições de swap em ritmo compatível com funcionamento do mercado". No documento, o BC reforçou que a inflação em 12 meses ainda é elevada e reiterou que não trabalha com a hipótese de flexibilização monetária. 

Dólar turismo. Na esteira do dólar comercial, o dólar turismo também caiu, agitando o movimento nas casas de câmbio para quem deseja viajar. Nesta terça-feira, a moeda podia ser comprada na casa dos R$ 3,50.

Na corretora Cotação, o dólar em espécie, já com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), era comercializado na tarde desta terça-feira a R$ 3,56; no cartão pré-pago, com taxa de IOF maior, saía a R$ 3,71. Na Confidence Câmbio, a moeda no cartão era vendido a R$ 3,68; já o dólar em espécie, a R$ 3,54. Na Sol Corretora, o produto no cartão pré-pago também saía a R$ 3,68; já o dólar em dinheiro, a R$ 3,53. Na Treviso, a moeda em espécie era vendida a R$ 3,52; no cartão, a R$ 3,59.

Por que o dólar turismo é sempre mais caro?

O dólar comercial é utilizado por empresas, bancos e governos para operações no mercado de câmbio, como transferências financeiras, exportações, importações, entre outros.

Já o dólar turismo é utilizado para viagens, transações de turismo no exterior e débitos em moeda estrangeira no cartão de crédito. Ele é mais caro pois é calculado com base no dólar comercial mais os custos das casas de câmbio com questões logísticas, administrativas e com seguro em caso de roubo, uma vez que as transações com dólar turismo são feitas com moeda em espécie, em "dinheiro vivo". Já as transações com dólar comercial são feitas de forma eletrônica, por meio de contratos.

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