Com mudança no IOF, exterior e leilão, cotação do dólar oscila

Dólar no mercado à vista abriu com leve alta ante o real; entre mínimas e máximas, cotação apresenta instabilidade

Silvana Rocha, Agência Estado - Texto atualizado às 11h30

04 de junho de 2014 | 10h20

O mercado brasileiro começou a sessão desta quarta-feira, 4, com o dólar volátil. O sinal negativo prevaleceu em grande parte da manhã, mas a cotação virou para o campo positivo por volta de 11h, em meio à entrevista do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem o câmbio está em patamar normal. 

Às 11h21, o dólar à vista registrou uma máxima, a R$ 2,2890 (+0,44%), pressionado pela piora dos mercados em Nova York e especulações sobre a rolagem do vencimento de swap cambial de julho e o futuro do programa de leilões diários programados de swap cambial, a partir de 1º de julho.

De acordo com Mantega, o governo brasileiro não está abrindo portas para o capital especulativo com a medida que reduz de 360 para 180 dias o prazo médio mínimo das captações externas que terão incidência de alíquota zero do IOF. "Nós não estamos chamando capital especulativo, pelo contrário. O que mais vem para o Brasil é IED. O Brasil é um dos cinco países que mais atraem IED no mundo", afirmou. Mantega argumentou que 17% da dívida brasileira é bancada por investimento externo.

A moeda norte-americana no mercado à vista abriu com leve alta de 0,4% frente ao real, a R$ 2,280 no balcão, mas em seguida virou e, às 9h34, atingiu a mínima, a R$ 2,270, em queda de -0,39%.

A baixa no início da manhã refletiu em parte a maior liquidez após o leilão de até US$ 200 milhões em swap cambial, mas também acompanhou a perda de força do dólar em relação a seus principais pares no exterior, após uma criação de menos postos de trabalho que o esperado no setor privado norte-americano em maio, de 179 mil vagas ante previsão de 210 mil.

Já no Brasil, o IBGE informou uma queda de 0,3% em abril ante março na produção industrial, resultado que ficou em linha com a mediana estimada, de -0,33%.

IOF. O Ministério da Fazenda informou mais cedo que foi publicado hoje no Diário Oficial da União (DO) o Decreto 8.263, que reduz o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre empréstimos externos tomados por empresas e bancos. A medida reduz de 360 para 180 dias o prazo médio mínimo das captações externas que terão incidência de alíquota zero do IOF. Para operações inferiores a seis meses, a alíquota de IOF de segue em 6%. Segundo a Fazenda, a medida tem por objetivo facilitar a captação de recursos no mercado externo, com reflexos positivos sobre o custo e a oferta de funding para os agentes econômicos no País.

O economista-chefe da LAPB Gestão de Recursos, Darwin Dib, disse ao Broadcast que se trata de uma reversão parcial de barreiras ao capital externo, adotadas pelo governo a partir do fim de 2010 e começo de 2011 visando conter ingressos de recursos e a valorização do real frente ao dólar. Agora, segundo Dib, com os sinais de piora do fluxo cambial para o País desde o mês passado (-US$ 1,476 bi em maio até dia 23), o governo ameniza essa barreira visando segurar uma depreciação do real, a fim de diminuir a chance de o câmbio ser um fator inflacionário adicional.

"O Copom encerrou o ciclo de alta da Selic em maio e o BC não tem sinal verde do governo para retomar a alta de juro. Por isso, agora revê as regras adotadas no passado recente", afirmou.

O gerente de câmbio da Correparti, João Paulo de Gracia Corrêa, acrescentou que a medida de hoje facilita os empréstimos externos com prazo acima de seis meses.

Segundo um operador de câmbio, apesar da volatilidade da taxa de câmbio na abertura, o dólar poderá subir ao longo do dia. Segundo ele, a moeda está em tendência de valorização, como ocorreu ontem após o BC aumentar o volume ofertado no leilão de rolagem do vencimento de swap cambial de julho.

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