Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Com paralisação, Bolsa tem pior semana em um ano, desde caso JBS

Ibovespa acumulou queda de 5,04% desde segunda-feira, pior resultado semanal desde o caso JBS, quando o executivo Joesley Batista gravou conversa com Michel Temer

Ana Luísa Westphalen e Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 15h12
Atualizado 25 Maio 2018 | 18h07

Sem o fim da greve dos caminhoneiros, com reflexos em diversas localidades do País, os investidores optaram por uma postura defensiva. Nesta sexta-feira, 25, as dúvidas sobre até quando vai durar a paralisação derrubaram o principal índice do mercado de ações brasileiro, o Ibovespa. O índice caiu 1,53%, aos 78.897,66 pontos, acumulando uma queda de 5,04% na semana.

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Foi o pior resultado semanal desde o caso JBS, quando o executivo Joesley Batista gravou conversa com Michel Temer, na qual o presidente teria dado aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha. O índice totalizou uma perda de 8,18% de 15 a 19 de maio de 2017, terminando com  62.639,30 pontos.

Segundo especialistas, os protestos reforçam a percepção de fraqueza do governo Temer, que cedeu ainda mais na quinta-feira, à espera de uma suspensão do movimento que não ocorreu e, principalmente, o aumento do risco fiscal em decorrência da fatura com a qual a União terá que arcar pelo congelamento dos preços do diesel, com compensação à Petrobras.

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A Bolsa perdeu o nível dos 80 mil pontos apesar de uma recuperação das ações da Petrobrás, penalizadas nos últimos dias pela piora de percepção em relação à empresa em meio a comentários sobre possível ingerência política e ameaça a sua política de preços.

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"Hoje era dia de uma recuperação da Bolsa depois da queda de ontem, principalmente da Petrobrás, que caiu mais de 13%, mas o mercado não quer passar o fim de semana comprado. O operador que está no dia a dia hoje está saindo do mercado na primeira oportunidade, para voltar a comprar na semana que vem, quando estará mais clara a situação entre os grevistas e o governo e estará mais bem digerido o efeito das medidas sobre o diesel nos preços e na estatal", avalia o sócio da Improve Investimentos Luiz Mariano de Rosa.

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Os agentes reagem ainda ao prazo de 30 dias para reajustes no diesel concedido pelo governo aos caminhoneiros na quinta-feira. A diferença entre o preço fixo e o valor que oscila diariamente será pago pelo governo à estatal, com compensação mensal à companhia. Segundo operadores, a leitura é de que o presidente da companhia, Pedro Parente, limitou a ação do governo sobre a estatal, desta vez, costurando o mecanismo de compensação.

As ações da Petrobrás passaram boa parte do dia em alta, mas passaram a cair depois de rumores sobre a intenção de Pedro Parente de pedir demissão do cargo de presidente da estatal. A companhia negou, por meio de comunicado, qualquer intenção do executivo nesse sentido.

Os papéis PN fecharam em baixa de 1,39%, e os ON caíram 0,73%. Essas ações fecharam a semana com quedas acumuladas próximas de 23%. A mudança na política de preços do diesel não altera o perfil de crédito da estatal, na avaliação da Moody's. A agência de classificação de risco ponderou, no entanto, que a menor independência da companhia pode sim afetar a imagem da estatal.

Na visão da Moody's, a decisão de congelar o diesel por 15 dias e baixar o preço nas refinarias em 10% "não afeta materialmente a geração de caixa da empresa". "Mas, se o governo, que controla a empresa, impor alguma alteração nas proteções legais ou na governança corporativa da empresa, o perfil de crédito da Petrobras seria afetado negativamente", comentou.

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O exterior também pesa nos negócios. Lá fora, o dólar sobe e o minério de ferro e o petróleo estão em queda, em meio a incertezas políticas na Espanha e Itália e geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Coreia do Norte. Diante de pressão por renúncia do governo espanhol, a Bolsa de Madri chegou a cair 2%, contaminando Milão. O euro atingiu mínimas desde novembro.

Dólar. A crise apoia também a alta da moeda norte-americana, que fechou cotada a R$ 3,6636, queda de ,064%. "O dólar só não sobe mais em função da mão pesada do BC que repete os leilões de swap com oferta total de até US$ 1 bilhão no dia", diz Jefferson Rugik, diretor da Correpart, para quem o imbróglio greve dos caminhoneiros ainda coloca um viés de proteção nos mercados. /COLABORARAM PEDRO LADISLAU LEITE E RENATO CARVALHO

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