Com PIB e dólar, juros futuros têm mais um dia de alta

A taxa do vencimento para janeiro de 2015, o mais negociado, subiu a 10,53%, de 10,41% no ajuste anterior

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

30 de agosto de 2013 | 17h04

O crescimento acima das expectativas do Produto Interno Bruto (PIB) e o avanço do dólar ante o real conferiram nesta sexta-feira, 30, mais um dia de alta para as taxas futuras de juros. A leitura depreendida do PIB do segundo trimestre é de que a atividade não deve ser uma barreira para que o Banco Central (BC) dê prosseguimento ao aperto monetário, ainda que muitos analistas projetem uma desaceleração importante da economia no terceiro trimestre. Em meio a isso, uma possível intervenção militar na Síria continuou sugerindo cautela, ainda mais após o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, dizer nesta sexta-feira que qualquer ação contra o regime do presidente Bashar Assad será limitada.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para janeiro de 2014 (131.800 contratos) marcava máxima de 9,28%, de 9,23% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2015 (383.230 contratos) indicava taxa de 10,53%, de 10,41% nesta quinta-feira, 29. Na ponta mais longa da curva a termo, o contrato para janeiro de 2017 (160.125 contratos) apontava 11,82%, ante 11,74% na véspera. O DI para janeiro de 2021 (3.475 contratos) estava em 12,17%, de 12,10% no ajuste anterior.

"O PIB mais forte favoreceu a leitura de que o aperto monetário não será limitado, por enquanto, pela fraqueza da atividade", afirmou um operador. "Isso, junto com o dólar, trouxe o viés de alta para os juros, ainda que não tenha mudado as apostas embutidas na curva a termo de que a Selic deve terminar o ano em cerca de 10%", continuou, destacando que a alta do dólar também foi influenciada pelo feriado do Dia do Trabalho nos EUA, na segunda-feira, 2. De acordo com ele, como o risco envolvendo a Síria é alto, o investidor puxou a taxa de dólar antecipadamente.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou, logo no começo do dia, que o PIB cresceu 1,5% no segundo trimestre ante os três primeiros meses de 2012. O resultado superou o teto das estimativas colhidas pelo AE Projeções (1,3%). Na comparação com igual trimestre de 2012, a atividade econômica teve expansão de 3,3% - dentro do intervalo das estimativas (2% a 3,8%) e acima da mediana, de 2,5%.

Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil está na "rota da recuperação econômica". "Nossa trajetória para 2013 é uma trajetória de crescimento moderado, vamos continuar com esse crescimento moderado até o final do ano. Claro que isso não é uma reta, não é linear." Mantega também falou sobre câmbio. "Temos muita bala na agulha, muitos instrumentos que poderão moderar essa mudança de câmbio", disse, sem citar quais seriam os instrumentos para segurar o dólar ante o real num contexto de alteração na política do Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano). Nesta sexta, por sinal, o BC fez uma série de intervenções e anunciou outras para a segunda-feira. Mas nem isso segurou o dólar, que seguiu sob influência das incertezas sobre a Síria, e subiu 0,21% no mercado à vista de balcão, cotado a R$ 2,3830.

Nesta tarde, as preocupações com uma possível intervenção na Síria voltaram a ganhar corpo. Apesar de o Parlamento britânico ter rejeitado, na noite desta quinta-feira, um ataque, os EUA parecem dispostos a intervir no país. Depois das declarações de Kerry, o presidente americano, Barack Obama, disse nesta tarde que o ataque de armas químicas na Síria "precisa ter uma resposta". Segundo Obama, os EUA ainda estão em processo de planejamento sobre como responder ao ataque sírio.

De volta ao Brasil, as taxas futuras de longo prazo subiram também por causa das desconfianças com a política fiscal. Hoje, o BC anunciou que o setor público consolidado apresentou superávit primário R$ 2,3 bilhões em julho, resultado abaixo do piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, de R$ 2,9 bilhões. Foi o pior para o mês desde 2010 (+ R$ 1,5 bilhão).

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