Comércio faz a liquidação mais longa da história

Faz dois meses que o comércio está em liquidação e deve continuar nesse ritmo até o Dia das Crianças (12 de outubro), uma vez que não há datas comemorativas importantes no período. Primeiro foi a frustração da Copa do Mundo, depois o inverno fraco. Agora é a concorrência arrasadora dos produtos chineses, por causa do câmbio baixo, que está sustentando as promoções ininterruptas. O setor mais prejudicado pela avalanche de produtos chineses são os artigos de vestuário e os eletrônicos."Nunca tivemos uma liquidação tão longa", afirma Rafael Borges de Souza Jr., diretor de Marketing da Fascar. Desde julho, a rede, especializada em calçados masculinos, com 23 lojas espalhadas pelo País, concentrou a liquidação em cinco lojas. "No mês que vem, vamos fazer a tradicional liquidação na rede toda", avisa o diretor.O esforço de liquidar os estoques e de até dar desconto de 5% no preço à vista ou parcelar o pagamento no Dia dos Pais garantiu apenas o empate nas vendas de janeiro a agosto deste ano na comparação com o mesmo período de 2005.O caso dessa rede varejista não é uma exceção. "Infelizmente há um desgaste da palavra liquidação", diz o presidente da Associação dos Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun. Ele argumenta que a vontade de várias redes varejistas de sair na frente com a liquidação provocou uma desorganização no varejo. "Quem ganha é o consumidor. As redes aumentam o movimento com as liquidações, mas o lucro, não."O economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, concorda com Sahyoun: a vantagem é do consumidor. "Nunca as liquidações foram tão longas e fora de hora."Na sua opinião, uma conjugação de fatores está levando a esse movimento de corte de preços, entre os quais a decepção da Copa do Mundo, o inverno quente e o efeito China. Com o câmbio baixo, os produtos chineses estão forçando os fabricantes nacionais a liquidar os estoques. É exatamente esse fator que tem garantido liquidações permanentes nas lojas, caso contrário perde-se mercado.Além de cortar preços, os varejistas parcelam os produtos a perder de vista para poder vender. Indiretamente, é outra maneira de liquidar os estoques. "O crédito é um grande fator de competitividade, já que não há uma grande evolução da renda", diz o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida.A expectativa de Almeida é de que as promoções se intensifiquem de agora em diante. Embora não esteja prevista troca de coleção, o economista lembra que, depois do Dia dos Pais, não há datas importantes para o varejo e a saída é liquidar.

Agencia Estado,

15 de agosto de 2006 | 10h25

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