Complexidade de Belo Monte exige ação permanente do Estado, diz Tolmasquim

Presidente da EPE destacou que governo também precisa colocar recursos próprios para incentivar o desenvolvimento da região

Kelly Lima, da Agência Estado,

27 de julho de 2010 | 18h54

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, admitiu que a usina de Belo Monte é uma obra "complicadíssima", que "exige" a participação do governo, porque tem uma série de déficits que dependem da ação do Estado. Vai precisar de ação permanente do governo. É uma usina que se você largar, não vai sair", disse em palestra para executivos promovida pelo Ibef no Rio de Janeiro. Ele ressaltou que o projeto de Belo Monte é "belíssimo" e conta com os investidores para torná-lo real.

Ele destacou, porém, que além de todas as condicionantes que estes investidores terão que fazer durante a obra para atender a região, o governo também tem que dar sua parcela de contribuição. "O governo tem que ter mão forte nesta obra para incentivar o desenvolvimento da região", disse, destacando que não bastam as casas de alvenaria que os investidores vão construir para a população que vai ser desalojada com a criação dos reservatórios. "É preciso que o governo também coloque recursos próprios", disse.

O comentário de Tolmasquim se originou a partir de questionamentos de executivos durante o evento sobre a forte participação do Estado nos empreendimentos de energia elétrica no Brasil. O presidente da EPE discordou desta colocação, e disse que a maior parte dos empreendimentos que vêm sendo realizados no Brasil está nas mãos da iniciativa privada, "com exceção de Belo Monte".

Tolmasquim destacou que o governo continuará incentivando a construção de usinas hidrelétricas, e que novas usinas térmicas a gás só serão admitidas em futuros leilões, caso não haja a oferta de empreendimentos hídricos suficientes para cobrir a expectativa de demanda no País. "Não pretendemos com isso deixar o Brasil a mercê da hidrologia. A ideia é que fontes alternativas, como eólica e biomassa, supram esta necessidade", disse, destacando que o leilão de fontes alternativas já tem ofertados projetos com capacidade para oferecer 16 mil MW novos.

Segundo Tolmasquim, o Brasil precisará agregar cerca de 63 mil MW à sua matriz energética nos próximos cinco anos. Deste total, pelo menos 65% já estão contratados. Com esta capacidade, disse ele, o Brasil tem condições de crescer em média 7,5% ao ano, se quiser ter zerado o excedente previsto em 2014, ou crescer uma média de 5% ao ano e ter um excedente de 5,8 mil MW em 2014. Para este cálculo, lembrou Tolmasquim, há a perspectiva de que as usinas térmicas sejam acionadas em média em 23% do tempo total.

Tolmasquim criticou, no entanto, a dificuldade de obtenção de licença ambiental para empreendimentos de grande porte, fato que pode atrasar esta oferta em todo o País. O principal problema enfrentado hoje está na construção da linha de transmissão que ligará pontos isolados da região Norte, a Tucuruí-Macapá-Manaus, que possui 1,6 mil quilômetros de extensão, com capacidade para transportar 2,5 mil MW. "Temos um problema lá que é a análise de que a linha de transmissão afeta alguns peixes existentes no Rio Xingu. Mas estamos bastante otimistas com que este problema seja solucionado rapidamente", disse Tolmasquim.

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