Compra direta de título público atrai aplicador

A compra de títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional está caindo na graça do investidor brasileiro. As quase 50 mil pessoas que já se cadastraram para comprar e vender papéis do governo negociaram R$ 660 milhões no ano passado, volume que representou aumento de 84% em relação a 2004. Esse interesse está ligado à rentabilidade das aplicações e ao baixo custo de negociação desses papéis. Quando você investe em títulos públicos, faz o mesmo tipo de aplicação que os gestores de fundos de investimentos em renda fixa, mas paga custos menores - o custo máximo no Tesouro Direto é de 1%, enquanto que a taxa de administração de um fundo de renda fixa geralmente oscila entre 3% e 4% para os pequenos aplicadores. Num primeiro momento, a compra de títulos públicos parece difícil, principalmente pela sopa de letrinhas que nomeia esses papéis: LTN, NTN-F, NTN-C, NTN-B e LFT. É fácil entender essas siglas: a letra inicial é "L" ou "N" de Letra ou Nota, o "T" é sempre de Tesouro e o "N" sempre de Nacional. A letra que aparece depois do hífen explica qual é a série do papel e distingue um do outro. O segundo passo é entender que cada papel tem um tipo de correção ou rendimento: a LFT segue a taxa Selic; a LTN é um papel prefixado, isto é, você acerta na compra exatamente o que vai receber; a NTN-C acompanha a variação do índice de inflação IGP-M; a NTN-B segue o IPCA, o índice oficial de preços; e a NTN-F tem rentabilidade definida no momento da compra. Desde que foi lançado o Tesouro Direto, a preferência dos investidores tem sido pelas LFTs e pelas LTNs, com 27,9% e 42% do total, respectivamente. Recentemente, no entanto, a vedete dos títulos são as LTNs e as NTN-Bs, segundo o consultor de investimentos da Coinvalores, Antenor Ramos Leão. "A estratégia do governo em reduzir o estoque da dívida atrelada à taxa Selic reduziu bastante a oferta de LFTs", destaca. Leão lembra que o governo tem feito apenas um leilão mensal de LFT em suas vendas primárias - quando o papel é emitido - e que mesmo com a demanda forte, a remuneração está descendente, seguindo a previsão das taxas de juros no mercado futuro. "Em 30 de novembro, a venda de LFTs com vencimento em 2010 garantiu ao investidor 0,36% ao ano mais remuneração da taxa Selic. Em 21 de dezembro, o papel com vencimento no mesmo ano pagava 0,192% mais taxa Selic e em 18 de janeiro os títulos saíram no leilão com juro de 0,11% ao ano mais taxa Selic", conta. A remuneração também encolheu nos títulos prefixados. A LTN com vencimento em 1 de julho de 2006 pagava 16,74% no leilão de 6 de dezembro; 16,51% na venda de 15 de dezembro; 16,58% em 20 de dezembro; 16,35% em 3 de janeiro; 16,13% em 10 de janeiro; 15,77% em 19 de janeiro; e 15,79% na venda de 24 de janeiro. O papel que tornou-se coqueluche do mercado, a NTN-B, foi vendido a 11,4% em 22 de novembro; 11,27% em 2 de dezembro; 11,19% em 13 de dezembro; 10,9% em 3 de janeiro; 10,15% em 12 de janeiro; e a 10,1% em 24 de janeiro. Leão destaca que esse recuo de rentabilidade foi verificado em todos os papéis de renda fixa e não apenas em títulos públicos. Isso ocorre porque os papéis privados tendem a acompanhar a oscilação das taxas pagas pelo governo. Um Certificado de Depósito Bancário (CDB) de 30 dias de prazo, por exemplo, pagava 14,43% ao ano no começo de dezembro do ano passado. Ontem, o aplicador que quisesse aplicar neste papel receberia 13,72% ao ano. A maioria dos investidores (45,9%), de acordo com os dados do Tesouro, prefere papéis com prazo de vencimento entre um e cinco anos - apesar de você poder revender, semanalmente, os títulos que comprou diretamente para o Tesouro. Você pode aplicar qualquer quantia em títulos públicos, a partir de R$ 200, mas em dezembro do ano passado o valor médio da operação foi de R$ 12,899 mil.

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