Concorrência limita impacto de possível alta de juros nas vendas, diz estudo

Levantamento aponta que perspectiva de alta da Selic não deve ser repassada totalmente aos consumidores

Rodrigo Petry, da Agência Estado,

09 de fevereiro de 2010 | 15h55

A concorrência entre as redes varejistas deverá limitar os efeitos da possível alta da taxa básica de juros, a Selic, sobre o consumo ao longo do segundo trimestre, avaliou o coordenador do Programa de Administração do Varejo (Provar), Claudio Felisoni.

 

Levantamento divulgado nesta terça-feira, 9, pela instituição apontou que a intenção de compra no varejo paulistano para o primeiro trimestre deste ano atingiu o maior patamar desde 1999, num ritmo que, segundo ele, poderá ser mantido ao longo de 2010.

 

Para Felisoni, a perspectiva de alta da Selic, prevista por analistas do mercado financeiro para acontecer no segundo trimestre deste ano, não deverá ser repassada totalmente para os consumidores.

 

"Num mercado competitivo, em que as redes varejistas têm parcerias com bancos, a velocidade do repasse da Selic na ponta do crediário será menor", afirmou. Ele ressaltou que os prazos médios de financiamento ao consumidor, medido em dias pelo Banco Central, subiu 6,6% entre dezembro de 2008 e igual mês de 2009.

 

Ele argumentou que, mesmo que ocorra uma elevação dos juros, o fator preponderante para a manutenção do consumo é o parcelamento. "O consumidor é mais sensível ao prazo do que aos juros", justificou.

 

Dessa forma, com o alongamento dos prazos, que na avaliação de Felisoni deve se manter em alta em 2010, o comércio manterá suas vendas aquecidas, sobretudo para as classes C e D, que concentram as maiores taxas de crescimento no varejo.

 

De acordo com o levantamento do Provar, em relação ao quarto trimestre do ano passado, os setores que apresentam neste início de 2010 um "crescimento significativo" na intenção de compra e de gastos por parte dos consumidores são os segmentos de eletroeletrônicos; informática; material de construção; telefonia e celulares; cama, mesa e banho; e móveis.

 

A pesquisa apontou ainda elevações porcentuais nas categorias de automóveis e motos, eletroportáteis e materiais de construção na intenção de usar o crediário nas compras neste início de ano, em relação ao final do ano passado.

 

Já as categorias de linha branca e móveis mantiveram patamares similares, na mesma comparação, enquanto houve uma retração na intenção da utilização de crédito para a aquisição de eletroeletrônicos, informática, cine e foto, telefonia e celulares e cama, mesa e banho.

 

Internet

 

Assim como o varejo físico, as vendas por meio da internet também têm perspectivas positivas para os próximos meses. Segundo pesquisa do Provar, realizada em conjunto com a empresa de monitoramento de comércio eletrônico e-bit, 86,6% dos 7,5 mil entrevistados informaram que pretendem ir às compras neste primeiro trimestre, o que representou um aumento de 2,3 pontos porcentuais sobre mesmo período de 2009 e de 0,6 ponto porcentual na comparação com os três últimos meses do ano passado.

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