Consórcio de estatal vence Belo Monte

Grupo de empresas liderado pela Chesf se compromete a vender energia produzida pela usina com deságio de 6,02%, a R$ 77,97 o megawatt/hora

Renato Andrade, Gerusa Marques e Célia Froufe, de O Estado de S. Paulo,

20 de abril de 2010 | 23h00

Contrariando as expectativas do mercado, o consórcio montado de última hora, sob a liderança da estatal Chesf, venceu nesta terça-feira, 20, o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte (PA). O grupo vencedor se comprometeu a vender a energia produzida na usina por R$ 77,97 o megawatt/hora, um deságio de 6,02% em relação ao preço máximo fixado pelo governo. A oferta foi pelo menos 5% menor que a do grupo liderado pela Andrade Gutierrez, que era considerado favorito.

 

O resultado do leilão foi comemorado pelo ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, que acompanhou a disputa na sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). "O Brasil está vitorioso hoje porque Belo Monte é a que produz energia mais barata em todo leque de usinas que temos", disse o ministro.

 

Liminar

 

Até o início da tarde, o leilão corria o risco de não ser realizado por causa de uma liminar concedida na segunda-feira pela Justiça Federal do Pará. Depois que a medida foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1.ª região, foram necessários apenas sete minutos para que a usina fosse leiloada. A divulgação do resultado, entretanto, só foi feita quase três horas depois, por causa de outra liminar, que também acabou sendo cassada.

 

Apesar do imbróglio, o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, disse estar convicto da segurança jurídica do leilão. "Fomos absolutamente conservadores. Já tínhamos terminado o leilão quando soubemos da nova liminar." Segundo o procurador-geral da agência reguladora, Márcio Pina, até o fim da tarde de terça-feira a Justiça do Pará ainda não havia citado formalmente a Aneel.  

 

Considerado por especialistas como grande favorito, o consórcio liderado pela construtora Andrade Gutierrez acabou oferecendo um valor pela energia próximo do preço-teto de R$ 83 por MW/h. Do consórcio vencedor participam ainda a construtora Queiroz Galvão e as empresas Galvão Engenharia, Mendes Júnior, Serveng, J.Malucelli, Contern, Cetenco e Gaia Energia.  

 

Desistência  

 

A Queiroz Galvão, entretanto, pode deixar o grupo, segundo José Ailton de Lima, presidente do consórcio. Lima, que também é diretor da Chesf, não foi claro em relação ao motivo de uma possível desistência da construtora. "(A empresa) pode não ter ficado satisfeita com a nossa proposição." Segundo ele, apenas a Queiroz Galvão teria pedido um tempo para análise.  

 

"Eu tenho esse papel. Eu tenho de colocar a obra de pé com o menor orçamento. As empreiteiras às vezes não têm esse papel, têm outro, mas não cabe a mim fazer julgamento de valor", considerou.  

 

Protestos  

 

O leilão de Belo Monte provocou protestos em vários lugares do País. Em Brasília, pela manhã, ativistas do Greenpeace despejaram um caminhão de esterco na frente da sede da Aneel. Representantes do grupo chegaram ao local logo cedo e colocaram um cartaz sobre o morro de estrume com a frase "Belo Monte de m...". Seis deles se acorrentaram em frente ao prédio, prejudicando a entrada dos funcionários da agência.

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