Construção civil deve subir acima do Ibovespa, dizem especialistas

As perspectivas para os papéis das empresas de construção civil negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) são positivas, na avaliação de especialistas ouvidos pela Agência Estado. O volume de lançamentos iniciais de ações (IPOs) do setor deve se manter elevado, embora não tão expressivo quanto em 2006, pois as grandes empresas do segmento já estão listadas. Na ponta da demanda, os estrangeiros devem manter a liderança, assim como no ano passado. "Em 2007, o setor tem boas condições de desempenho na Bovespa, acima do mercado", afirma o gerente de análise da Modal Asset, Eduardo Roche. Segundo ele, com farto leque de opções, a expectativa é que os investidores sejam cada vez mais seletivos na escolha das empresas nas quais farão suas apostas. De acordo com especialistas, os investidores têm prestado mais atenção nos papéis da construção civil motivados por fatores como a esperada continuidade da queda de juros e do crescimento do crédito imobiliário, as perspectivas de aumento da renda da população e a grande demanda reprimida por moradias. As declarações do governo federal sobre a intenção de incentivar o setor e a expectativa de que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ser anunciado entre hoje e o dia 20 deste mês, contemple a construção civil também favorecem o interesse pelos papéis. "Bancos e corretoras estão dando início à cobertura das empresas de construção, o que contribui para que o mercado comece a enxergar mais o setor", diz o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Comunale. "A cobertura é importante para chamar a atenção dos investidores", completa Roche. As ações da Cyrela Brasil Realty acabaram de ingressar na carteira do Índice Bovespa, o que também confere mais visibilidade às empresas de construção civil na bolsa. Cyrela, Rossi e Klabin O professor da FGV recomenda a compra de ações da Cyrela e da Rossi Residencial. Segundo Comunale, a Cyrela tem como diferenciais o posicionamento estratégico e a saúde financeira da companhia. O economista destaca as alianças da Cyrela com parceiros locais, que asseguram a expansão de sua atuação para além de São Paulo e do Rio de Janeiro. "Esses parceiros conhecem o mercado local e o perfil do consumidor", diz o professor da FGV. Em relação à Rossi, Comunale ressalta também as parcerias da companhia com "sócios estratégicos locais". "Daqui a pouco, a Rossi também deve ingressar no Ibovespa", afirma. Conforme Roche, da Modal Asset, as ações da Klabin Segall terão destaque entre os papéis do setor negociados na Bovespa. "A empresa tem como foco a classe média e média baixa, segmento que deve ter taxas de crescimento elevadas", diz o gerente de análise da Modal Asset. A projeção de incremento de vendas de imóveis para a classe média tem como base a maior oferta de crédito imobiliário. Roche diz que a Klabin Segall deve crescer, este ano, em relação a 2006, em faturamento e número de lançamentos. O advogado do escritório PMK Advogados, Juliano Cornacchia, afirma que o mercado imobiliário deverá estar "no pico do seu aquecimento" este ano, com a realização dos investimentos por construtoras e incorporadoras que captaram recursos em bolsa. O lançamento de ações das empresas do setor arrecadou recursos para investimento na aquisição de terrenos, o que vem contribuindo para aumentar o potencial de vendas do segmento e aquecer o mercado. O escritório PMK Advogados é especializado em assessoria jurídica para o mercado imobiliário. Abyara Planejamento Imobiliário, Company, Cyrela, Gafisa, Rossi, Klabin Segall, Brascan Residential Properties e LPS Brasil Consultoria de Imóveis têm capital aberto na Bovespa. A Comissão de Valores Imobiliários (CVM) concedeu registro de companhia aberta à WTorre Empreendimentos Imobiliários no fim de dezembro e à Tecnisa esta semana. Rodobens Negócios Imobiliários, Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) e Even Construtora e Incorporadora aguardam registro de companhia aberta.

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