Construtora criada em 2002 já ocupa o 4º lugar em SP

No último ranking paulista do setor imobiliário, um nome pouco conhecido no mundo dos negócios chama a atenção. A Even, criada em 2002 a partir da fusão de duas modestas empresas, apareceu pela primeira vez na lista das dez maiores do ramo e já ocupa a terceira posição entre as incorporadoras e a quarta entre as construtoras de São Paulo. A Even é uma típica empresa emergente. Tem uma estrutura enxuta, fama de ágil, sede em um edifício hi-tech e jovens executivos no comando. No escritório, quase não há divisórias e nem paredes. Os funcionários, remunerados pelo modelo de meritocracia, trabalham em ritmo frenético. À primeira vista, lembra mais um banco de investimentos que uma construtora. A empresa tem crescido rápido desde a fusão entre a ABC e a Terepins & Kalili, mas ganhou mais fôlego neste ano após receber injeção de capital de um fundo inglês, o Spinnaker Group. Em 2006, o valor total dos seus lançamentos pode alcançar R$ 1 bilhão. Sem incluir sócios, o número pode chegar a R$ 770 milhões, pouco menor que o da Company e da Gafisa, duas grandes do setor. Essa é uma cifra importante, pois revela a agressividade da jovem companhia. Somente nos próximos três meses, a Even pretende lançar onze empreendimentos. A empresa foi para Goiânia e Rio de Janeiro neste ano. Em 2007, planeja expansão para três novas praças. ?Eles têm sido agressivos, têm tido bons produtos. A Even ocupou o espaço da Inpar, que até 2002 era maior que a Cyrela e no ano passado não lançou praticamente nada?, diz um empresário do ramo. Caso exemplar Quem vê a empresa hoje, no entanto, não imagina o seu frágil passado. A Even é um caso exemplar de média empresa prestes a desaparecer do mapa que se reinventou para sobreviver ao avanço das gigantes do setor. O sinal amarelo acendeu em 2000, quando aconteceram os primeiros movimentos de consolidação no setor, com a parceria entre a Cyrela e a Brazil Realty e a compra de parte da Gafisa pela GP Investimentos. ?A Terepins não crescia. Ela não tinha capital para comprar terrenos. Faltavam também gestão e tecnologia?, diz o presidente da Even, Carlos Eduardo Terepins. ?Sem isso, ninguém conseguiria sobreviver dali em diante, porque o mercado ficaria mais competitivo.? Naquele momento, a melhor solução foi juntar as forças da ABC e da Terepins. Na teoria, era o par perfeito. As duas foram parceiras durante 15 anos. A primeira era incorporadora e a segunda, mais focada em construção. A dupla ainda conseguiu atrair um pequeno capital do fundo Paladin Realty, que até agora injetou US$ 20 milhões em projetos. Na prática, o casamento não fluiu tão bem assim. ?O início foi mais difícil do que podíamos supor?, diz Terepins. ?As duas empresas eram familiares. Ficamos uma colcha de retalhos.? O primeiro nó só foi desfeito com um choque de gestão. A empresa foi profissionalizada e boa parte dos acionistas foi afastada. Com a casa em ordem, faltava resolver o problema de escassez de capital. No começo do ano, veio a solução. O fundo inglês comprou parte da companhia - os donos ainda permanecem no controle. ?Além de capital, o fundo trouxe novas idéias e aperfeiçoou a nossa gestão. Foi o melhor dos mundos?, diz Terepins. A Even ataca em quase todas as frentes - desde os imóveis de alto luxo até os para a classe média. Mas é com esse último que ela tem levado alguma vantagem perante a concorrência, na opinião de especialistas. ?Além de ser agressiva em vendas, a Even consegue oferecer um produto de qualidade para classe média, segmento que as grandes do ramo davam pouca atenção?, diz Fábio Rossi, diretor do Secovi-SP, o sindicato da habitação de São Paulo. ?Há uma demanda reprimida nesse filão.? De acordo com dados do Secovi, os apartamentos de dois a três quartos representavam 80% do mercado na década de 90. Os imóveis de quatro dormitórios não passavam de 15%. De 2002 para cá, os imóveis maiores tomaram o espaço dos menores e chegaram a representar até 30% dos lançamentos. Agora, com o aumento da oferta de crédito para a classe média, a tendência é que os apartamentos de dois a três quartos despertem novamente o apetite das construtoras. Concorrência A Even, claro, não está sozinha nesse segmento. Pelo contrário. O setor nunca esteve tão concorrido como agora. A construtora Company - que disputa a terceira posição com a Even tanto no ranking de incorporadoras quanto no de construtoras -, por exemplo, também resolveu apostar nos imóveis para classe média neste ano. A Company sempre esteve mais associada a imóveis de altíssimo padrão. Agora, o foco da empresa é outro: os apartamentos de R$ 100 mil a R$ 300 mil. Dos 13 empreendimentos que ela pretende lançar até o final do ano, nove terão esse perfil. ?Havia uma demanda reprimida nessa faixa de imóvel. A renda do consumidor quase não mudou, mas as facilidades de crédito aumentaram?, diz o diretor de relações com investidores da Company, Luiz Rogélio Tolosa.

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