Construtora JHSF compra parte do Fasano e quer montar hotel em NY

Chegou (quase) ao fim a sociedade de oito anos entre Rogério Fasano e João Paulo Diniz nos restaurantes e hotéis da grife Fasano. O herdeiro de Abílio Diniz vai sair do negócio levando as Fornerias de São Paulo e Rio de Janeiro e uma participação de 14% nos hotéis. Com a saída parcial de Diniz, a área de hotelaria do grupo ganhou um novo sócio: a construtora JHSF, que terá 50% do negócio. A participação foi comprada diretamente de Diniz após seis meses de negociações. A operação inclui os hotéis de São Paulo e Rio de Janeiro (previsto para ser inaugurado no começo do ano que vem). O novo grupo entra com dinheiro e gestão, e pretende colocar em prática um projeto ambicioso. "Em 2007, vamos ampliar o Hotel Fasano de São Paulo e construir uma outra unidade dentro do Parque Cidade Jardim (condomínio e shopping de luxo da própria construtora, ainda em construção)", diz o presidente da JHSF, José Auriemo Neto. "Já temos estudos para abrir um hotel em Nova York. A idéia também é ampliar a rede para outras cidades do Brasil, com o formato de resort em alguns lugares." O investimento previsto para o próximo ano é de R$ 200 milhões, diz Neto. A JHSF passou a se interessar pela hotelaria nos últimos tempos e já estava de olho em algumas oportunidades na área. O Fasano, segundo Neto, mostrou-se uma opção interessante porque combinava com o perfil da construtora. Além disso, as duas empresas já tinham boas relações comerciais. Fasano é inquilino da construtora há mais de dez anos e está construindo seu empório no shopping da empresa. Os donos da JHSF também são freqüentadores assíduos do Parigi (que fica no prédio da construtora) e do Fasano. "Eles conhecem todo o cardápio, todos os vinhos", diz um funcionário da casa. O Hotel Fasano é bem visto pelo mercado hoteleiro. "É um formato especial, um hotel pequeno, exclusivo. Eles ganham muito com as longas estadias", diz um executivo do setor. O hotel fatura R$ 40 milhões e tem ocupação média superior a 90%, segundo Rogério Fasano. Ele foi aberto em 2003, mas ainda não se pagou, o que é mais do que esperado nessa área. "O hotel vai se pagar em oito anos", prevê Fasano. Na hotelaria, o retorno de um empreendimento pode chegar em 15 anos. Conflito O futuro do hotel, ao que parece, está bem resolvido. O que ainda desperta dúvidas no mercado é o rumo dos restaurantes. Fasano costumava dizer que Diniz era o melhor sócio que alguém poderia ter - cuidava da parte financeira e administrativa e não se intrometia no lado criativo e operacional do negócio, coisa que Fasano conhece como poucos no País. Com a saída de Diniz, Fasano perde um parceiro estratégico. "Eu me surpreendi com a decisão. Acho que ele (Diniz) queria tocar as coisas mais do jeito dele. João Paulo tem uma personalidade forte", diz Fasano. "Eu fico muito contente que ele tenha ficado no hotel."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.