Contratos mais longos de juros sobem na abertura, acompanhando dólar

A alta do preço do dólar na abertura do pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) pressiona as projeções de taxas de juros de contratos mais longos nesta manhã. Embora o mercado continue enxergando nos números de inflação motivos para queda dos juros, o comportamento do dólar, que reage às preocupações com a economia mundial, é o que norteia os negócios com os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de um dia. Às 10h14, o contrato com vencimento em janeiro de 2007 era cotado a 13,87%, com perda de 0,01 ponto porcentual em relação ao fechamento de ontem. O contrato mais líquido, com vencimento em janeiro de 2008, era negociado a 13,76%, com alta de 0,01 ponto porcentual. Segundo operadores, as preocupações com a economia mundial continuam concentrando as atenções. E justificam uma abertura mais cautelosa dos mercados. No exterior, os primeiros sinais do dia apontavam para tranqüilidade. As bolsas européias operam perto da estabilidade, assim como os índices futuros das bolsas norte-americanas. O petróleo também esboçou recuperação. No entanto, o contrato futuro para outubro no mercado londrino recuava 1,77%, a US$ 65,35. Na dúvida, o mercado de juros amplia os prêmios, aguardando que o dia se defina. O mercado acredita que a correção para baixo dos preços das commodities é, de fato, uma tendência. E, embora possa ser considerada uma boa notícia para a inflação, ela inspira cuidado porque pode comprometer o desempenho da balança comercial brasileira e, dessa forma, provocar alta do dólar. "A intensidade dessa correção é que pode interferir no cenário doméstico. Se for um ajuste pequeno, então o movimento das commodities será benéfico, porque alivia a inflação. Mas, se houver uma correção muito forte do câmbio, o impacto será negativo sobre os preços domésticos e, dessa forma, mudará o cenário para os juros. Mas essa segunda hipótese ainda é considerada menos provável", define um operador. Internamente, o mercado continua considerando o cenário de inflação extremamente favorável, mesmo com alguma elevação pontual nos índices de inflação. O IPC da Fipe registrou inflação de 0,16% na primeira quadrissemana de setembro, acima da apurada no fechamento de agosto - quando o IPC foi de 0,12% - e dentro da margem prevista pelos analistas ouvidos pela Agência Estado, que apostavam em uma variação entre 0,09% e 0,19%, e levemente acima da mediana projetada, de 0,15%. Já a primeira prévia do IGP-M de setembro subiu 0,21%, ante alta de 0,16% em igual prévia em agosto. O resultado anunciado hoje ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam um resultado entre 0,20% a 0,30%, e abaixo da mediana das expectativas (0,23%). O Banco Central tomou R4 1,240 bilhão no overnight à taxa de 14,20%, integral.(Lucinda Pinto)

Agencia Estado,

12 de setembro de 2006 | 10h17

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