Copom deve iniciar aperto monetário em março, diz Figueiredo

Ex-diretor de Política Monetária do BC estima elevação de 0,50 ponto porcentual, dos atuais 8,75%

Luciana Xavier, da Agência Estado,

18 de dezembro de 2009 | 11h53

Embora a expectativa seja de inflação dentro da meta central de 4,5% no ano que vem, o vigor da atividade econômica brasileira deve trazer pressões inflacionárias a partir do segundo semestre, o que deve levar o Banco Central a agir preventivamente na primeira metade do ano. A avaliação é do economista Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Investimentos e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central. Ele estima que o Copom deve iniciar o ciclo de aperto monetário em março ou abril de 2010, com elevação de 0,50 ponto porcentual, dos atuais 8,75%.

 

"A inflação nos próximos seis a nove meses ainda traz carregamento de um nível de atividade baixo. Essa inércia é favorável para 2010, mas os dados recentes mostram uma atividade forte e, se continuar nesse ritmo, alguma pressão inflacionária deve aparecer no segundo semestre ou mais para frente", disse, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

 

Segundo Figueiredo, a ação do Copom deve ser gradual, visando a levar a taxa básica de volta ao patamar neutro, que seria algo em torno de 10%. Ele projeta que a Selic deve subir de 2 pontos porcentuais a 3 pontos até o final do próximo ano. Para o PIB 2010, a previsão é de expansão de "5,5% ou mais".

 

Para o economista, a ata do Copom, divulgada esta manhã, não necessariamente prepara o terreno para aumento de juro futuramente, mas reconhece que a atividade está mais forte. Ele avalia que esse cenário aponta para a necessidade de o governo reduzir os estímulos fiscais nos próximos meses, eventualmente aumentar o compulsório, embora não mais para os níveis pré-crise, e por fim, subir o juro.

 

Câmbio

 

O governo não dá sinais de que irá adotar novas medidas para o câmbio em breve, afirma Figueiredo. "O governo parece satisfeito com o que está acontecendo. O câmbio não rompeu aquele nível de R$ 1,70. Na verdade está mais perto de R$ 1,80, e não vejo muita volatilidade no curto prazo na taxa de câmbio. Acho que deve ficar mesmo entre R$ 1,70 e R$ 1,80", comentou.

 

Figueiredo vê algum risco de volatilidade no câmbio com as eleições, mas observa que ainda é cedo para se saber se haverá turbulência que mude a tendência da moeda americana ante o real.

 

Ele ressaltou, no entanto, que o tripé da política econômica atual - política fiscal, monetária e câmbio flutuante - está funcionando bem e que qualquer tentativa de um futuro governo de querer mudar isso "será vista de maneira negativa".

 

O ex-diretor do BC disse também ser cedo para avaliar os impactos da Medida Provisória 472 na economia, publicada ontem no Diário Oficial. "Mas acho que não vai influenciar o fluxo líquido", afirmou. A medida, entre outras coisas, limita o volume de remessa de lucros ao exterior que poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL a serem recolhidos no Brasil.

 

Para Figueiredo, o mundo deve seguir em retomada em 2010, com média de crescimento mundial "razoável", com perspectivas ainda melhores para o Brasil, o que deve garantir um forte fluxo tanto no mercado de ações como em investimentos diretos.

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