Copom deve reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto na reunião de março

A recente valorização cambial tem propiciado queda da inflação doméstica, especialmente nos índices gerais de preços, mais sensíveis à taxa de câmbio. Além do impacto imediato de redução dos preços de bens de consumo comercializáveis, a apreciação cambial também é capaz de reduzir o preço de importação de máquinas e equipamentos, impulsionando o processo de investimento. Isso, somado ao elevado nível de produção doméstica de bens de capital, deve ampliar a capacidade de produção da economia brasileira. Dessa forma, esperamos que o processo de investimentos, aliado ao ritmo moderado de retomada do crescimento econômico, mantenha a redução do nível de utilização de capacidade instalada das empresas, mantendo a inflação de médio e longo prazo sob controle. Esse cenário permite que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da taxa Selic em 0,75 ponto porcentual. Não acreditamos, no entanto, que o BC vá aumentar o ritmo de cortes de juros. Sabemos que o controle inflacionário depende tanto da política monetária do Banco Central, quanto da política fiscal exercida pelo Tesouro Nacional. Nos últimos meses, observamos um forte aumento dos gastos primários do governo central, que passou de 17,4% do PIB em janeiro de 2005 para 18,5% do PIB em janeiro desse ano. Esse aumento dos gastos públicos tem ocorrido basicamente por expansão dos gastos previdenciários e de custeio e capital, incluindo os gastos sociais, que tendem a gerar rápida expansão do consumo das famílias. Diante dessa política fiscal mais frouxa, o Banco Central deve manter o ritmo de redução de juros inalterado, evitando um aumento excessivo do consumo e, conseqüentemente, o descontrole inflacionário.

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