Copom e dados nos EUA são o foco da semana

O mercado financeiro vai tocar os negócios da semana com a atenção dividida entre a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na quarta-feira, e indicadores de destaque que serão divulgados nos EUA. Por aqui, o mercado trabalha convencido de que a taxa básica de juros (Selic) passará por nova redução de 0,75 ponto porcentual, recuando de 16,50% ao ano para 15,75%, nível mais baixo desde fevereiro de 2001. "O ambiente inflacionário e de atividade está bastante positivo para o Copom dar continuidade ao corte no juro", diz Newton Rosa, economista da SulAmerica Investimentos. Para ele, o cenário externo adverso, com petróleo mais caro e juro americano em alta, vai desencorajar uma redução mais agressiva da taxa básica, sem impedir, porém, o prosseguimento da flexibilização gradual da política monetária. Sem previsão de surpresa no juro interno, a atenção dos investidores estará voltada à divulgação de dados americanos que poderão agravar ou suavizar a expectativa de juros mais elevados nos EUA. O temor com essa possibilidade, diante da persistente alta dos juros nos títulos de dez anos - principal referência do mercado -, provocou forte instabilidade nos mercados semana passada. O avanço do juro dos T-Notes com esse prazo acima de 5% ao ano alimentou a suspeita de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) estique o ciclo de alta do juro de curto prazo, que está em 4,75% ao ano. O economista da SulAmérica avalia que o forte crescimento da economia americana no primeiro trimestre, estimado por ele em 4,5% anualizado, deve levar o Fed a promover mais uma ou duas elevações de pelo menos 0,25 ponto porcentual. "Mas, como não se sabe até onde o Fed poderá ir no processo de ajuste da taxa, essa incerteza gera volatilidade, com oscilações bruscas dos juros toda vez que sai algum indicador relevante." Amanhã serão divulgados a ata do último encontro do Fed em 28 de março, quando o juro dos Fed Funds subiu para 4,75%, e o índice de preços ao produtor (PPI). A previsão é que esse indicador de inflação recue de 1,4% em fevereiro para 0,4% em março, com estabilidade do núcleo em 0,2%. O interesse pela ata, de acordo com o executivo da SulAmérica, se deve à expectativa de que, diante da expansão da economia dos EUA e da alta do petróleo, o Fed dê algum sinal sobre novos aumentos do juro. Na quarta-feira será conhecido o índice de preços ao consumidor (CPI) americano, que, pelas projeções, deverá avançar de 0,1% em fevereiro para 0,4%, mas com núcleo também estável em 0,2%.

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