Corretora avalia que mercado exagerou com Comgás

O banco Credit Suisse manteve a avaliação sobre as perspectivas de desempenho das ações da Comgás, mesmo com a nacionalização da produção de gás e petróleo na Bolívia. A repercussão das medidas do presidente socialista da Bolívia, Evo Morales, sobre a Comgás levou ontem as ações preferenciais da empresa a fechar com baixa de 3,15%, a R$ 280,10. A instituição de origem suíça avalia que embora a perspectiva seja de que as ações apresentem, ao longo dos próximos 12 meses, desempenho inferior ao apurado por outras companhias do segmento no mundo, os preços atuais representam um ponto de compra. O preço-alvo do Credit Suisse para Comgás é R$ 450. "A fraqueza das ações da Comgás representam, provavelmente, mais uma oportunidade de compra que o início de uma fase negativa", enfatiza o banco. Os analistas Emerson Leite e Vinicius Canheu escrevem que o cenário mais provável é o de aumento do preço do gás natural, o que precisa ser negociado previamente entre a Bolívia e a Petrobras. Eles lembram que os preços do gás já serão ampliados devido à fórmula prevista em contrato, mas ressaltam que a nacionalização da produção no país andino pode levar a novos aumentos, além dos previstos em contrato. "Neste cenário, o impacto para a Comgás viria da redução da competitividade do gás natural versus os combustíveis alternativos no Brasil, o que poderia diminuir o espaço para crescimento do volume de vendas. Olhando isoladamente para a lucratividade, nenhum grande impacto deve ser visto, uma vez que a Comgás pode repassar 100% do aumento para os preços." Relações A Comgás enviou comunicado ao mercado informando que não tem relacionamento comercial direto com os produtores de gás na Bolívia e que, portanto, não participa de qualquer negociação naquele País. A companhia conta também que possui dois contratos de compra de gás boliviano vigentes. Um deles de pouco mais de 8,6 milhões m3/dia, celebrado com a Petrobras em 1996 e vigente até 2019, e outro de 600 mil m3/dia com a BG Comércio, celebrado em 2001 e vigente até 2011. A empresa diz que ambos foram aprovados pelo órgão regulador, a CSPE. "Estes contratos, celebrados pela Comgás com empresas brasileiras, prevêem a entrega do gás natural em diversos 'pontos de entrega' localizados na área de concessão da Comgás. Os preços praticados são aqueles fixados nos respectivos contratos e vêm sendo ajustados na forma prevista", diz a companhia. (Resumo de reportagens publicadas no AE Empresas e Setores, serviço de informações e análise de empresas, setores e ações da Agência Estado. Para obter informações sobre produtos e serviços da Agência Estado, ligue para 0800 016 1313 ou envie mensagem para comercialae@agestado.com.br)

Agencia Estado,

03 de maio de 2006 | 07h00

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