Corretora sugere venda da ação da Souza Cruz

A Ágora Corretora revisou a recomendação de manutenção dos papéis da Souza Cruz para venda e alterou o preço-alvo das ações para R$ 39,43 por unidade, em dezembro deste ano. O potencial de desvalorização com o novo patamar de cotação estimado é de 4,3%, informa a corretora, tendo como base o valor de fechamento do dia 23, de R$ 41,20. "O risco de nossa recomendação de não se materializar é o fechamento de capital da empresa, que vem sendo o principal condutor e impulsionador das ações no curto prazo", destaca a Ágora em relatório. Na avaliação da corretora, a produção de cigarros da Souza Cruz deverá ficar em 78,3 bilhões de unidades em 2006, com um crescimento de 3,2% em relação ao mesmo período anterior. O incremento, destaca a Ágora, ocorrerá devido à melhoria de renda da população e ao combate à produção ilegal e ao contrabando de cigarros. Já para 2007, a instituição avalia que haverá avanço de 0,5%, causado pelo aumento de renda da população. Já para os próximos anos, estima uma queda de 1% na produção. "O efeito do incremento na renda não deve fazer frente à queda do número de fumantes", ressalta. As exportações de fumo, segundo a corretora, deverão fechar o ano de 2006 em 114,5 mil toneladas, com redução de 2,2% em relação a 2005. "As principais razões para a queda foram a apreciação do real frente ao dólar, que deixa o produto brasileiro menos competitivo em relação aos seus concorrentes internacionais, e os problemas de embarque de fumo ocorridos no primeiro semestre de 2006", informa. Para os próximos anos, porém, deverá haver uma retomada dos embarques, devido à expansão do mercado internacional e à estabilidade do câmbio, cita o relatório. Mas os embarques de fumo deverão ficar estáveis em 116 milhões de toneladas/ano a partir de 2008, avalia a corretora. A Ágora destaca ainda que o pagamento de dividendos, que já foi o principal atrativo da empresa, será afetado pelo aumento de impostos causado pela apreciação do real e pela eventual diminuição do lucro líquido no ano passado. "Os dividendos já não são tão atrativos como antigamente, apesar de projetarmos um yield (rendimento) de 7,2% para este ano", destaca. A corretora avalia que o rendimento da companhia foi de 6,7% em 2006, inferior ao padrão histórico da Souza Cruz, acima de 10%, informa. Na avaliação da Ágora, um aumento significativo no pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ao longo deste ano, que geraria um repasse para os preços, poderia causar uma retração na demanda. A perda ou quebra da próxima safra também não é descartada pela instituição como fator de risco.

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