Corretoras avaliam acordo entre AmBev e Quinsa

As corretoras Ágora e do banco BES Securities divulgaram hoje relatório a respeito do acordo da AmBev com a Beverage Associates Corp. (BAC) de compra da totalidade das ações da Quinsa. O valor total a ser pago será de aproximadamente US$ 1,2 bilhão sujeito a ajustes, incluindo dividendos e juros. Após o fechamento da operação, a participação da AmBev no capital social da Quinsa aumentará de 56,72% para 91,18%. Segundo os analistas das duas instituições, a operação é positiva para a AmBev e para seus acionistas. O acordo, segundo o BES, representa a última etapa da operação iniciada em maio de 2002, quando a AmBev adquiriu uma participação inicial na Quinsa, que continha uma opção pela qual a BAC poderia permutar o restante de sua posição na Quinsa por ações da AmBev, bem como uma opção correspondente em favor da AmBev, a partir de 2009. Na operação de agora, as partes acordaram que o preço de compra será pago em dinheiro e que as referidas opções não mais serão exercidas. "Considerando o aumento de 32,5% da participação sendo efetivado a partir do segundo trimestre de 2006, o Ebitda da companhia deve ser acrescido em R$ 220 milhões (+43% na parcela referente à Quinsa, +37% para a divisão HILA e +3% no consolidado), e o EV/Ebitda implícito na transação será de 9,3x para o ano (em linha com o valor atual da companhia)", informou o relatório. Considerando os números previstos de 2006 pro-forma (91,18% da Quinsa durante todo o ano), o ganho no Ebitda seria de R$ 313 milhões (aproximadamente US$ 145 milhões vs. US$ 1,2 bilhão pago). Na análise pro-forma, o EV/Ebitda de 2006 implícito seria de 8,3x, que se compara favoravelmente ao múltiplo de mercado da AmBev de 9,3x e indica adição de valor para os acionistas de AmBev na transação, especialmente considerando-se o momento de crescimento de vendas nos mercados de atuação da Quinsa (diversos países da América do Sul). O analista Marcelo Milman avalia que o preço-alvo para dezembro de 2006 para AmBev aumentaria do anterior de R$ 1.106/ mil ações para R$ 1.165/ mil ações (+5%). O valor considera uma premissa de risco país de 400bps (vs. 300bps atualmente utilizados). Ajustando para esse menor risco, o custo de capital médio ponderado (WACC) da companhia cairia para 12,2%, contra 13,1% anteriormente, e o preço subiria para R$ 1.330/mil ações. A Ágora Senior, em relatório, considerou que o preço pago pela aquisição ficou muito próximo ao que a AmBev realiza hoje no mercado. A aquisição da Labatt por exemplo embutiu um múltiplo Ebitda de quase 14 vezes e a média das últimas aquisições é de 12,9 vezes. A corretora destaca que considerando o valor atual desembolsado pela AmBev desde 2002 (US$ 1,9 bilhão) e o Ebitda (ganhos antes do pagamento de impostos, taxas e de depreciações e amortizações) projetado para 2006, o múltiplo seria de 4,8 vezes a 5,0 vezes, o que significa que a aquisição ficou extremamente em conta para o padrão utilizado pelo setor de bebidas. O negócio foi considerado positivo pela Ágora, pois a Quinsa é a operação de melhor performance da AmBev depois do Brasil. O relatório informa que a mudança será incorporada ao modelo de projeção e em breve serão informadas novas estimativas. Por enquanto, está mantida a recomendação de compra e preço-alvo de R$ 1.252,38 pelo lote de mil ações, além da presença no papel na carteira.

Agencia Estado,

17 Abril 2006 | 18h08

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