Cosan cogitou suspender negócios com ações ontem

O Grupo Cosan informou hoje, em conferência com investidores e analistas, que cogitou suspender temporariamente ontem os negócios com as ações da companhia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), após o suposto vazamento da negociação de compra do capital acionário da Companhia Açucareira Vale do Rosário. Paulo Diniz, vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da Cosan e porta-voz da companhia na conferência, informou que a leitura do mercado na manhã de ontem apontava fortes indicações do potencial de vazamento do assunto. Imediatamente a companhia informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Bovespa que iria publicar um fato relevante sobre o assunto, que não era possível ter certeza do vazamento das negociações e que faria "todo sentido" uma suspensão temporária das nossas ações. De acordo com o executivo, após receberem o fato relevante e analisarem, foi decidido manter o "trade" (negócios) regular das ações. Diniz ratificou na conferência que não iria revelar os detalhes financeiros da operação de compra da Vale do Rosário, devido a um contrato de confidencialidade, até que seja definida a operação. O executivo confirmou, no entanto, que o Grupo Cosan foi procurado há cerca de um ano por um grupo de acionistas minoritários da Vale do Rosário e os informou que não teria interesse no negócio sem que houvesse o controle majoritário. Há dois dias, segundo ele, o grupo os procurou novamente já com a garantia de que poderiam retomar as discussões, pois já havia se tornado majoritário. A partir daí foi assinado o acordo confidencial. O grupo Cosan mantém o silêncio, mas fontes do mercado e acionistas da Vale revelaram ontem à Agência Estado que o valor oferecido por 100% da Vale do Rosário seria de US$ 750 milhões e que a Cosan já teria garantida a compra de 50,2% das ações da ainda concorrente. A Vale do Rosário tem hoje 109 acionistas. Diniz, que considerou as negociações no "'estágio embrionário", informou aos investidores e analistas quais os trâmites do negócio. Os acionistas da Vale do Rosário têm o direito de exercerem a opção de compra da participação dos que querem o negócio com a Cosan e têm até 30 dias para isso. Em seguida, a própria Companhia Vale do Rosário pode exercer esse direito e, numa terceira etapa, as ações seriam oferecidas a uma terceira parte, no caso o Grupo Cosan. Por isso o processo pode demorar até três meses. O executivo disse ainda que o termo hostile takeover (oferta hostil) "não faz parte do vocabulário da companhia e que espera ter certeza que todos os acionistas da Vale do Rosário estarão contentes caso o negócio seja concretizado".

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