Cosan: preço do açúcar depende de decisão de produtores do Centro-Sul

A trajetória de preço do açúcar vai depender da decisão que os produtores da região Centro-Sul tomarem com relação a qual produto será enfocado no mix de produção, segundo informou hoje o vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores do Grupo Cosan, Paulo Diniz.?O nível dos estoques mundiais está num patamar deprimido. No entanto, isso está sendo recomposto e os superávits produtivos existentes fazem com que o preço caia. Principalmente, em havendo talvez a manutenção de perspectivas de produção existentes de açúcar, acredito que possa ficar no patamar em que está ou até buscar um piso de vale ainda mais baixo. Mas ainda é muito prematuro falar sobre isso porque o que estará guiando será o comportamento da safra da região Centro-Sul,o que os produtores vão canalizar para açúcar e álcool?.Para ele, trata-se de uma questão ?de consciência? uma possível redução da produção de açúcar em favor do álcool. ?Nem sempre nosso setor primou por decisões racionais. A partir do momento que os produtores se conscientizarem dos impactos e fizerem cálculos e projeções, talvez reflitam melhor e canalizem maior volume para a produção de álcool. Mas é muito prematuro tentar adivinhar o que farão?, opinou.Com relação às margens de preços do açúcar e do álcool, que tendiam a andar juntas dependendo de qual produto figurava como mais remunerador no momento, Diniz afirma que há uma tendência de ?descolamento?. ?A coisa está mudando um pouco porque a grande quantidade de projetos novos em andamento e os que vão começar a operar a partir da próxima safra são basicamente dedicados totalmente à produção de etanol. Então, esse pessoal não vai ter condição de realocar a produção para o açúcar?, afirmou o executivo.Taxa de importaçãoNo curto e médio prazos, o imposto de importação do etanol é importante para estimular não só o crescimento, mas a conscientização da existência de um mercado do produto nos Estados Unidos, opina Diniz."Esse assunto foi exaustivamente debatido e não temos dúvida que, no futuro, não há como justificar o pagamento do imposto. Mas a gente não pode ser tão egoísta a ponto de querer que isso acabe e conseqüentemente corrermos o risco de que o mercado americano de etanol também acabe. Então é melhor que ele cresça e floresça e, quando isso ocorrer, aí sim vamos discutir a respeito", ponderou.Para Diniz, é preciso considerar que o Brasil, atualmente, não tem produção que possa suprir o mercado. "Nem neste ano, no próximo e ainda no outro", salientou. "Caso esse imposto fosse retirado, muitos dos investimentos em plantas de etanol de milho nos Estados Unidos deixariam de existir ou seriam paralisados. O próprio mercado americano de etanol que está nascendo agora poderia ser prejudicado de forma bastante séria", enfatizou.Diniz entende que a médio e longo prazos a questão será revista, conforme o desenvolvimento do mercado de etanol.Vale do RosárioIndagado sobre a recente aquisição frustrada da Companhia Vale do Rosário, ele afirmou que a existência da cláusula no estatuto da Vale que previa o exercício de preferência pelos acionistas minoritários deu a eles uma vantagem "enorme". "Quando isso acontece, o jogo não é tão justo assim", comentou.Diniz disse que a Cosan sabia da dificuldade na compra, devido a esse termo do documento. "A Cosan, na sua vida, comprou uma série de empresas. A Vale era mais uma que estava negociando. Acho que do lado deles foi feito o certo. Naturalmente que do ponto de vista da Cosan continuamos a buscar novas empresas e talvez colocando ênfase maior em estudos de expansão, porque achamos que os preços existentes são muito mais atraentes do que o patamar atual envolvendo aquisições", concluiu.A Cosan é líder nacional no setor sucroalcooleiro.

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