Abdallah Dalsh/Reuters
Abdallah Dalsh/Reuters

Dólar fecha a R$ 5,05, queda de 1,07%, no menor valor desde 1º de julho; Bolsa sobe 1%

Aumento do apetite de investidores estrangeiros pelo Brasil, diante da possibilidade de Selic perto de 13% ao ano, deu fôlego ao real nesta terça-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 10h17
Atualizado 22 de fevereiro de 2022 | 19h25

A crise no exterior, diante dos novos desdobramentos envolvendo Rússia e Ucrânia, tem efeitos limitados no mercado local nesta terça-feira, 22. No câmbio, o dólar fechou em queda de 1,07%, a R$ 5,0521, diante da entrada de recursos estrangeiros no País. O valor é o menor para a moeda desde 1º de julho do ano passado. Já a Bolsa brasileira (B3) foi na contramão do exterior e subiu  1,04%, aos 112.891,80 pontos.

Com o tombo nas três últimas sessões, o dólar já acumula queda de 4,78% em fevereiro e perda de 9,39% ao ano. O real é a divisa de melhor desempenho ante o dólar no mundo em 2022. No exterior, o índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, teve jornada volátil e caiu 0,06%.

A fraqueza do dólar lá fora está ligada à crescente expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), premido pelas incertezas provocadas pelas tensões geopolíticas, vai optar por uma alta inicial da taxa de juros em 0,25 ponto porcentual em março. A possibilidade realimentou o apetite dos estrangeiros pelo Brasil diante da Selic a 10,75% ao ano, com perspectiva de ir até perto de 13%.

O desequilíbrio entre as taxas amplia ainda mais o juro real projetado em 12 meses e mantém um diferencial entre juros doméstico e externo em patamares elevados, atraindo capital de curto prazo. "Está na cabeça do investidor estrangeiro que o Brasil é um país de commodities e de juro alto, com taxa de juro real, entre 6% e 7%, a maior do mundo", diz o head da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt. "O estrangeiro não está preocupado com o baixo crescimento. Ele está aproveitando uma janela de oportunidade que vai até abril ou maio", completa.

Em evento no BTG Pactual, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a dizer que o Brasil saiu na frente no ajuste monetário e que tem sido reconhecido por isso. "Taxa de juros mais alta traz fluxos de dólares para o Brasil. A melhora no câmbio está ligada a movimento de rotação nos fluxos de investimentos", disse.

O cenário local também segue favorável. Hoje, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PPAL), disse que as PEC dos Combustíveis no Congresso estão "definitivamente afastadas", e reforçou que ainda estão em pauta projetos de lei relacionados ao tema. E hoje o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a intenção de promover uma redução de 25% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com impacto de R$ 20 bilhões por ano, que tem potencial de os reduzir custos industriais e o risco Brasil.

Com o ambiente local favorecido, o mercado nacional apenas monitorou o aumento das tensões no Leste Europeu. Hoje, a União Europeia fechou por unanimidade pacote de sanções contra a Rússia e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, também anunciou medidas. Em Moscou, no entanto, as sanções não amedrontaram investidores, que levaram o rublo a ganhar terreno frente ao dólar.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) voltou a afirmar que a Rússia prepara um "ataque em larga escala" contra a Ucrânia, mas o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou não ter dito que as tropas "já irão para as repúblicas" de Donetsk e Luhansk, regiões do leste ucraniano desde ontem reconhecidas como independentes pela Rússia. Analistas não descartam a possibilidade de uma saída diplomática, mas viam crescer o risco de confronto.

Bolsa

A iminência de um conflito pesou nos mercados. Em Nova York, o Dow Jones cedeu 1,42%, o S&P 500, 1,01% e o Nasdaq, 1,23%. Na Ásia, a Bolsa de Hong Kong cedeu 2,69%, enquanto Tóquio baixou 1,71% e Seul, 1,35%. No mercado europeu, a Bolsa da Alemanha caiu 0,26%, enquanto Paris baixou 0,01%.

A situação, porém, teve efeito limitado no Ibovespa. Diante do desempenho de hoje, na semana, o índice de referência passa a subir 0,01% e retorna ao positivo no mês, com ganho de 0,67% - no ano, o avanço é de 7,70%. A recuperação dos preços de commodities, de grãos a metais e petróleo, além do setor financeiro, ajudou no bom desempenho do índice.

Hoje, Vale subiu 1,73%, enquanto Usiminas teve ganho de 1,66%. Entre os grandes bancos, Itaú subiu 0,90% e Banco do Brasil, 0,94%. Apesar do bom desempenho do petróleo no exterior, que subiu em torno de 2%, Petrobras ON e PN caíram 1,55% e 0,32% cada. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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