José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Dólar fecha a R$ 5,27, no menor valor desde 16 de setembro; Bolsa tem maior nível desde outubro

Ibovespa fechou em alta de quase 1%, aos 113,2 mil pontos; para especialistas, entrada de capital estrangeiro e expectativa de alta da Selic explicam recuo do dólar

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2022 | 17h36
Atualizado 01 de fevereiro de 2022 | 19h00

Em dia pré-Comitê de Política Monetária (Copom), que deverá trazer novo reajuste da taxa Selic, o dólar emendou sua quarta queda consecutiva e fechou em baixa de 0,62%, cotado a R$ 5,2728 nesta terça-feira, 1, no menor valor desde 16 de setembro. O recuo da moeda no exterior também ajuda a dar fôlego ao real. No mercado acionário, a Bolsa brasileira (B3) subiu 0,97%, aos 113.228,31 pontos, no maior nível desde 18 de outubro.

Na mínima do dia, o dólar bateu em R$ 5,2688, queda de 0,70% - nos últimos quatro pregões, o dólar acumula desvalorização de 3,09%. Uma vez mais, profissionais do mercado relataram fluxo externo de recursos para ativos domésticos e desmontagem de posições defensivas no mercado futuro - que ganham com a queda do real -, por parte de fundos locais e investidores estrangeiros. 

Segundo operadores, seguem firmes os prognósticos de continuidade de entrada de capital estrangeiro, em especial para renda fixa, por conta dos juros mais elevados. A perspectiva amplamente majoritária é que o Copom anuncie amanhã novo aumento da taxa Selic em 1,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano, e deixe a porta aberta para, pelo menos, mais uma elevação. Já há uma ala considerável de casas que prevê taxa básica no nível de 12% no fim do atual ciclo de aperto monetário.

Mesmo com entrada líquida de mais de R$ 20 bilhões para o mercado doméstico de ações em janeiro, a expectativa é de que mais dinheiro de fora venha para o Brasil, em meio ao movimento de rotação global de portfólio que favorece mercados "descontados" e o setor de commodities.  

Caso não haja uma valorização intensa da moeda americana no exterior, na esteira de uma postura mais dura do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) - hoje, o presidente da distrital de Filadélfia, Patrick Harker, disse considerar ideal elevar o juro básico quatro vezes ao longo do ano -, ou notícias muito negativas nos quadros político e fiscal doméstico, analistas acreditam que o real pode continuar a se valorizar no curto prazo.

"Tem espaço para o dólar voltar a níveis perto de R$ 5, se mantida a tendência de valorização das commodities e fluxo externo, além do cenário interno menos turbulento", afirma o head de câmbio da Acqua-Vero Investimentos, Alexandre Netto, ressaltando que a moeda brasileira estava muito depreciada e agora se sobressai entre seus pares emergentes. "Certamente, um novo aumento da taxa Selic em 1,5 ponto vai deixar o carry trade ainda mais atraente e ajudar o real.

A economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, também vê a possibilidade de Selic ainda mais elevada como um dos fatores primordiais para o tombo recente do dólar, ao lado da entrada de recursos para a Bolsa brasileira. "Diante do acirramento da inflação, o Banco Central tem reforçado uma postura mais dura. O dólar caiu de R$ 5,70 em fins do ano passado para menos de R$ 5,30, mas ainda está em um patamar muito elevado, o que não traz um alívio tão intenso para a inflação", afirma.

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis divisas fortes - operou em baixa, com perdas mais significativas frente ao iene e à libra. O mercado espera as decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE), na quinta-feira, 3. 

Bolsa

O Ibovespa abriu fevereiro como encerrou janeiro, no positivo mesmo quando o sinal de Wall Street divergia, enquanto a B3 segue beneficiada pelo fluxo externo em busca de descontos. Na máxima do dia, o índice subiu aos 113.302,13 pontos - na semana, avança 1,18% e, no ano, 8,02%. Em Nova York, o Dow Jones teve alta de 0,77%, o S&P 500, de 0,68% e o Nasdaq, de 0,75%.

"A retomada das commodities neste início de ano, com destaque para celulose e minério de ferro em razão do movimento de estocagem pré feriado do Ano Novo Chinês, e petróleo, com dúvidas sobre oferta em meio às tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, juntamente com demanda em franca expansão, contribuíram fortemente para a alta do Ibovespa em janeiro. A valorização das ações do setor financeiro, beneficiadas pela escalada dos juros, foi outro fator que pesou positivamente para o índice nas últimas semanas", aponta em relatório o Banco Inter.

Com Nova York se firmando no positivo na reta final da sessão, o Ibovespa voltou a acentuar ganhos, mais perto de 1% e retomando o nível de 113 mil pontos para o fechamento, não muito distante da máxima do dia. "O ciclo de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos continua a gerar cautela. As vagas de emprego em aberto nos Estados Unidos em dezembro vieram com níveis bastante elevados, abrindo espaço para postura ainda mais dura para o Fed", diz Dennis Esteves, especialista em renda variável da Blue3

Nesta terça-feira, véspera de aguardada elevação da Selic em 1,50 ponto porcentual, as ações de mineração e siderurgia foram bem hoje, com Vale em alta de 5,49%, Usiminas, de 3,88% e CSN, de 5,05%. As ações da Petrobras também tiveram desempenho positivo, com a ON em alta de 2,95% e a PN, de 2,01%. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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