Werther Santana/Estadão - 18/06/2021
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Bolsa cai 1,2% e dólar sobe com investidor à espera de decisão do Copom sobre a Selic

Expectativa do mercado é que taxa seja reajustada em 1,5 ponto porcentual, para 10,75% ao ano; no exterior, índices da Bolsa de Nova York subiram

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2022 | 16h40
Atualizado 02 de fevereiro de 2022 | 19h10

O mercado nacional opera no negativo à espera pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), com expectativa de reajuste de 1,5 ponto porcentual na taxa Selic nesta quarta-feira, 2. Descolada do sinal positivo de Nova York, a Bolsa brasileira (B3) teve queda de 1,18%, aos 111.894,36 pontos, enquanto no câmbio, o dólar quebrou a sequência de quatro quedas seguidas ante o real para fechar com leve alta de 0,07%, a R$ 5,2763.

“A atenção do mercado deve se voltar para eventuais mudanças no comunicado. Nossa percepção é de que a orientação da política tende a se manter contracionista, mas com possibilidade de alguma flexibilização nos termos do comunicado, deixando em aberto (aumentos futuros)”, diz Luciano Costa, economista-chefe da Kilima Asset, casa que aguarda outra elevação em março, de 0,75 ponto porcentual, que colocaria a Selic a 11,50%, nível que seria mantido até o fechamento do ano, e que já deixaria naquele mês a taxa de juros real entre 6% e 6,5%.

Pelo lado fiscal, contudo, a possibilidade de desonerações neste ano eleitoral tende a produzir efeito sobre o balanço de riscos do BC, que se traduziria em chance de Selic mais próxima a 12% no fim do ano, observa o economista. “São questões que estão em aberto, e o BC não tem como se antecipar a isso”, diz Costa.

No momento, a equipe econômica estuda reduzir as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) linearmente em 15% a 30%. De acordo com fonte ouvida pelo Estadão/Broadcast, tais simulações estão na mesa, sem discussão de corte maior. A redução de 30% impactaria em R$ 24 bilhões a arrecadação de tributos, o que também diminuiria o repasse do imposto aos Estados. A ideia em discussão é reduzir a alíquota incidente sobre todos os produtos, para não beneficiar setores. Há também a discussão sobre a PEC dos combustíveis, concentrada agora no diesel.

“A Selic não chega aos dois dígitos desde julho de 2017, e naquele ano foi a 11,25%, agora devemos voltar a 10,75%, podendo chegar aos mesmos 11,25% na reunião seguinte (de março) para o BC controlar esses movimentos (da inflação)”, diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.

"Os investidores estão ansiosos para saber se já chegamos no limite superior da taxa (Selic) ou se ainda há espaço para promover novas altas. Eventual movimento inesperado do Copom tende a resultar em volatilidade na Bolsa, com incerteza para o investidor", diz Rafael Germano, especialista em renda variável da Blue3.

A queda de 2,99% do Santander, após o balanço do banco apontar uma alta de 7% no lucro de 2021, colaborou para o recuo do Ibovespa, após uma sequência de cinco altas consecutivas. Ainda no setor bancário, Banco do Brasil, Bradesco e Itaú cederam 1,66%, 1,70% e 1,57% cada. Na ponta do índice, Positivo subiu 3,57%, Qualicorp, 1,60% e Vale, 0,56%. Em Nova York, Dow Jones subiu 0,63%, o S&P 500, 0,94%, e o Nasdaq, 0,50%.

Na semana e no mês, o Ibovespa oscila agora levemente para o negativo, com recuos de 0,01% e 0,22%, respectivamente, ainda acumulando retomada de 6,75% no ano.

Câmbio

Após acumular desvalorização de 3,09% em quatro sessões, o dólar à vista até esboçou um movimento mais forte de recuperação na sessão desta quarta, chegando a romper o teto de R$ 5,30 pela manhã, mas perdeu fôlego ao longo da tarde. As movimentações do real se deram, na maior parte do pregão, em sintonia com o comportamento de pares entre divisas emergentes. Investidores ajustaram posições em meio ao resultado abaixo do esperado do emprego privado nos Estados Unidos em janeiro (relatório ADP), enquanto aguardam a divulgação do relatório de emprego na sexta-feira, 4, para calibrar as apostas em torno do ritmo de normalização da política monetária americana.

Hoje, o documento estimou a eliminação de 301 mil empregos no país em janeiro, contrariando as projeções dos analistas, que previam geração de 200 mil postos de trabalho no último mês. Trata-se do primeiro corte de vagas desde dezembro de 2020 e um sinal dos efeitos da variante Ômicron na economia dos EUA.

Para o CIO da Alphatree Capital, Rodrigo Jolig, a movimentações no mercado doméstico de câmbio hoje refletem ajustes e realização de lucros - e não abalam a perspectiva de que o dólar possa continuar caindo e buscar um nível próximo a R$ 5,00. Jolig vê a taxa de juros real doméstica, seja qual for a magnitude da alta da Selic hoje e no próximo Copom, como grande trunfo do real, por atrair capital externo para a renda fixa.

"É preciso ver como os ativos de risco vão se comportar com as decisões do Fed [Federal Reserve, o banco central americano]. Aqui o BC pode aumentar os juros em mais 200 ou 250 pontos-base. A aposta mais dura para o Fed também é de uma alta desse tipo [entre 200 e 250 pontos-base]. Então, não é por diferencial de juros que o Brasil vai deixar de ser atraente", diz Jolig.

Reflexo do desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY, que havia experimentado forte alta na semana passada, teve o segundo dia de perdas, operando abaixo da linha dos 96,000 pontos. O euro ganhou força na esteira da leitura recorde de inflação ao consumidor na Zona do Euro (taxa anualizada de 5,1% em janeiro, frente à expectativa de 4,3%), o que aumenta as expectativas para a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira, 3. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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