Jonathan Ernst/ Reuters
Jonathan Ernst/ Reuters

Após anúncio do BC americano, Bolsa fecha em leve alta e dólar termina em queda

Federal Reserve anunciou que o foco da política monetária será a retirada de estímulos, e não o aumento da taxa de juros

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 16h22
Atualizado 03 de novembro de 2021 | 18h01

O Federal Reserve (Fed) anunciou nesta quarta-feira, 3, que já reduzirá a compra de ativos nos EUA a partir de meados deste mês. Além disso, manteve as taxas de juros inalteradas. Ambas as decisões eram, de alguma forma, aguardadas, restando aos investidores observarem a entrevista do presidente do Fed, Jerome Powell. E o mercado gostou do que ouviu. Afinal de contas, mesmo depois de alguns indicadores de inflação norte-americanos se mostrarem resistentes, Powell disse que não foi sequer discutida uma possível elevação da taxa básica de juros. "Temos espaço para ser pacientes com taxa de juros", afirmou.

Como resultado, as bolsas de Nova York ganharam força, com novos recordes de Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq. A melhora externa contaminou os ativos domésticos, mesmo em meio às incertezas sobre a votação da PEC dos Precatórios. Mas, mesmo com ganhos de 1,04% em NY (Nasdaq), e com Dow Jones e S&P 500 renovando máximas no fechamento, o Ibovespa perdeu um pouco do fôlego e fechou em leve alta de 0,06%, aos 105.616,88 pontos. O principal índice da Bolsa foi bastante pressionado no final do pregão pelo tombo das ações de Vale e siderúrgicas, em meio a incertezas sobre a China, incluindo cortes de produção, problemas de energia, queda na demanda por aço e um excesso de oferta de minério de ferro.

O dólar, que já caía ante o real, passou a testar mínimas abaixo de R$ 5,60, até terminar com desvalorização de 1,42%, a R$ 5,5897. No caso dos juros futuros, o desenho da curva a termo já ganhou forma desde o começo do dia, quando a ata do Copom mostrou um Banco Central mais duro do que se imaginava, ampliando apostas na aceleração do ritmo de aperto monetário. Junto com a expectativa por um desfecho sobre como ficará o Orçamento de 2022 e o pagamento do Auxílio Brasil, houve consequente queda dos vencimentos mais longos, movimento sacramentado pelas palavras do presidente do Fed na reta final.

O movimento de apreciação do real, contudo, não foi linear. Nas primeiras horas de negócios, o dólar trocou algumas vezes de sinal e chegou a se aproximar de R$ 5,70, ao registrar máxima a R$ 5,6990 (+0,51%). Isso a despeito do tom duro da ata do Copom, que chancelou a perspectiva de taxa Selic em dois dígitos no fim do atual ciclo de aperto monetário. 

Já no fim da manhã, a moeda americana perdia força por aqui, movimento atribuído por operadores a fluxo comercial e realização de lucros. No início da tarde, as perdas se acentuaram, com o dólar tocando a casa de R$ 5,60, em meio à informação de que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), havia convocado sessão da Câmara dos Deputados para 18h, com o objetivo de votar a PEC dos Precatórios. 

As mínimas da sessão, com a moeda americana não apenas furando o piso de R$ 5,60 como passando a ser negociada momentaneamente na casa de R$ 5,57, vieram com o enfraquecimento global do dólar, na esteira de declarações de Powell, em entrevista coletiva após o Fed anunciar o início do "tapering", com redução do volume mensal de compra de títulos em US$ 15 bilhões. 

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