Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Com temor fiscal, Bolsa cai mais de 2% e encerra no menor nível desde novembro de 2020

Dólar se apreciou ante o real, seguindo ainda a tendência global, enquanto os juros futuros subiram

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2021 | 11h00
Atualizado 04 de novembro de 2021 | 20h43

A Bolsa foi o ativo que mais sofreu no pregão desta quinta-feira, 4, pois além do risco fiscal, também teve impacto da queda das ações da Petrobras, depois que a Opep sinalizou aumento gradual de produção e afetou negativamente os preços do petróleo. Bastante descolado dos pares, tanto de Nova York quanto da Europa, o Ibovespa cedeu 2,09%, aos 103.412,09 pontos, no menor nível de encerramento desde 12 de novembro de 2020. 

O temor do mercado acontece depois da margem estreita que garantiu a aprovação da PEC dos precatórios, em primeiro turno na Câmara, uma série de sinais reforçaram a percepção de que o governo terá dificuldades para passar o texto no segundo turno, também na Câmara, mas principalmente no Senado. Neste último caso, por exemplo, o PSDB na Casa já informou posição contrária à proposta. Diante disso, o cenário de incerteza em relação às contas públicas em 2022 continuou latente, o que motivou uma onda de aversão ao risco que foi ganhando força ao longo do dia, na medida em que os indícios de resistência à PEC iam surgindo. 

Após duas sessões de recuperação parcial nesta semana, o Ibovespa retoma a trajetória negativa vista no intervalo de quatro sessões entre 26 e 29 de outubro, quando colheu duas perdas diárias acima de 2%. "A tendência é o mercado continuar piorando. Mesmo com a votação, o texto é ruim: em dez anos, o rombo de precatórios pode chegar a R$ 1 trilhão. Vai jogando a dívida pra frente e ficando impagável", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. "Já se fala muito de o Brasil ter nota rebaixada, fora a Selic alta, e com fuga de capital. Tem recessão à frente", acrescenta, apontando que alguns partidos estão criando formas para se evitar a votação da PEC em segundo turno, na próxima terça-feira, 9.

Câmbio e juros futuros também não escaparam da espiral negativa. No caso do dólar, que chegou a renovar máximas ante o real na reta final dos negócios, houve ainda um movimento global de fortalecimento da moeda, o que a levou a R$ 5,6061 no fechamento por aqui, com valorização de 0,29%

Não bastassem as incertezas fiscais no front doméstico, alimentadas pelo jogo político entre Congresso e Palácio do Planalto, o real também sofreu com ventos externos desfavoráveis. O DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes - operou em forte alta, na casa dos 94,300 pontos, com dados positivos da economia dos EUA e tombo da libra após o Banco da Inglaterra (BoE) manter a taxa de juros em 0,1% ao ano, enquanto os analistas esperavam o início do aperto monetário. A moeda americana também deu de lavada na maioria das divisas emergentes, tendo o real apresentado, uma vez mais, as piores perdas.

Na renda fixa, depois de uma acomodação durante a manhã, a piora dos demais ativos contaminou os DIs, que terminaram com alta importante nos vencimentos intermediários e longos, enquanto os curtos seguiram precificando um aperto monetário mais intenso em dezembro. 

Em Wall Street, o pregão foi de movimentações mais estreitas, ainda digerindo a decisão do Federal Reserve de retirar os estímulos monetários, mas também à espera do payroll, nesta sexta, além de reações pontuais à queda do petróleo e à surpresa com a decisão do BoE. Nada que impedisse novo recorde de S&P 500 e Nasdaq, enquanto o Dow Jones teve pequena baixa.

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