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Bolsa cai e dólar vai a R$ 5,08 com investidores de olho em risco político

Ausência do mercado de Nova York, fechado devido ao feriado da Independência dos EUA, enfraqueceu os ativos locais; queda na popularidade de Bolsonaro chamou atenção

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2021 | 15h04
Atualizado 05 de julho de 2021 | 19h10

A cautela deu o tom dos negócios desta segunda-feira, 4, dia em que o mercado de Nova York não operou devido ao feriado da Independência dos Estados Unidos. Com isso, os ativos ficaram mais suscetíveis ao risco político local, diante  aa deterioração do capital político do presidente Jair Bolsonaro. Hoje, o dólar fechou em alta de 0,68%, cotado a R$ 5,0878, enquanto a Bolsa brasileira (B3) teve baixa de 0,55%, aos 126.920,05 pontos

Para o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, o momento político é "muito delicado", com o governo sendo alvejado por todos os lados. "Está ficando complicado porque estão vindo denúncias de várias frentes. Isso aumenta a incerteza e deixa o mercado cada vez mais estressado. Acredito que o dólar possa romper o nível de R$ 5,10 já no pregão de amanhã", afirma Nagem.

As investigações a respeito de propinas em negociação para aquisição de vacinas e ao superpedido de impeachment juntaram-se reportagem do UOL com indícios de envolvimento de Jair Bolsonaro em esquemas de "rachadinha' (entrega ilegal de salário de assessores a parlamentares) quando era deputado federal. No fim de semana, houve protestos por todo País pedindo afastamento do presidente.

Alvejado pelas acusações, Bolsonaro vê sua popularidade minguar. Pesquisa da Confederação Nacional o Transporte com o Instituto MDA mostra que a aprovação positiva do governo (ótimo e bom) caiu de 33% em fevereiro de 2020 para 27,7%, o pior nível desde o início da gestão mandatário. E a pesquisa estimulada para as eleições presidenciais de 2022 apresenta o ex-presidente Lula com 41,3% das intenções de voto no primeiro turno, bem à frente de Bolsonaro (26,6%).

Para o diretor de câmbio da corretora Ourominas, Mauriciano Cavalcante, o dólar deve seguir pressionado nas próximas semanas por causa do ambiente político conturbado e do receio do mercado em relação ao desenlace da reforma tributária. "A tendência é que o dólar continue em alta e tente buscar novamente os R$ 5,10, muito por conta da nossa crise política", afirma Cavalcante, ressaltando que o mercado "não está se estressando ainda mais" porque se desenha um cenário de recuperação da economia brasileira e o Banco Central continuar a subir a taxa de juros. "Se a política não atrapalhasse, veríamos mais entrada de recursos".

Por aqui, na máxima do dia, o dólar bateu em  R$ 5,0933 . A moeda para agosto fechou com ganho de  0,67%, a R$ 5,1060 . Lá fora, o índice DXY - índice que mede o desempenho da moeda americana antes seis divisas fortes - trabalhava ao redor da estabilidade, acima dos 92 pontos. O dólar subia em relação à maioria das moedas de países emergentes e de exportadores de commodities, em especial o peso mexicano e o real.

Além das preocupações locais, na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) divulga a ata de sua mais recente reunião de política monetária, o que pode mexer com as expectativas para o início da redução de compra de ativos e, por tabela, afetar a trajetória do dólar. Por aqui, na quinta-feira sai o IPCA de junho, dado relevante para a calibragem das expectativas para a magnitude de alta da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em agosto.

Bolsa

Após o respiro da sexta-feira, quando obteve ganho de 1,56% na sessão, o Ibovespa inicia nova semana em terreno negativo, com a baixa liquidez pelo feriado em Nova York resultando em moderada realização de lucros para o índice da B3, mais uma vez refletindo o risco político, fator que vinha em segundo plano ante a retomada econômica. No mês, o Ibovespa limita os ganhos a apenas 0,09%, avançando agora 6,64% no ano.

"O Ibovespa se ajustou em relação à sexta-feira, avaliando em especial a piora da popularidade do governo de Jair Bolsonaro, em nova pesquisa. O dia foi de liquidez reduzida pelo feriado nos EUA, na medida em que os estrangeiros são responsáveis por cerca de metade do volume da nossa Bolsa", diz Victor Lima, analista da Toro Investimentos. Em junho, os investimentos externos em ações na B3 chegaram a R$ 16,626 bilhões, em termos líquidos, elevando o fluxo do ano, no primeiro semestre, a R$ 48,006 bilhões. Depois, os estrangeiros retiraram R$ 748,217 milhões da B3 na sessão da última quinta-feira, a primeira do mês de julho.

Na Europa, as bolsas fecharam hoje em alta, apoiadas por ações do setor financeiro, que se recuperou após fortes quedas na sexta-feira, e de petroleiras, que subiram junto com os contratos da commodity no mercado futuro. À tarde, os contratos de petróleo acentuaram a alta, após a indicação e posterior confirmação de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), pelo terceiro dia, não conseguiu chegar a acordo sobre a retomada gradual da produção, o que colocou a referência global, o Brent, acima de US$ 77 por barril pela primeira vez desde outubro de 2018.

Mesmo com o avanço das cotações da commodity e a confirmação de que a Petrobrás elevará amanhã os preços nas refinarias, as ações ON e PN da estatal fecharam hoje, ambas, em baixa de 1,13%, com Vale ON em queda de 0,36%, também indiferente ao avanço do minério de ferro nesta segunda. O dia foi negativo também para os bancos, que cederam entre 0,62% para Banco do Brasil ON e 2,08% para Bradesco PN. As siderúrgicas tiveram desempenho misto na sessão, entre perda de 1,00% da Gerdau Metalúrgica e ganho de 1,09% da CSN ON/ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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