Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Dólar recua 1,26%, a R$ 5,25, no menor valor de fechamento desde 15 de setembro; Bolsa cai

Moeda americana recua também ante divisas fortes e de países emergentes; risco fiscal, por conta da PEC dos Combustíveis, preocupa o investidor

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2022 | 16h46
Atualizado 07 de fevereiro de 2022 | 18h50

Apesar da cautela do investidor com a PEC dos Combustíveis, o dólar voltou a cair ante o real nesta segunda-feira, 7, em queda de 1,26%, cotado a R$ 5,2547, no menor nível desde 15 de setembro. A moeda também cedeu ante países emergentes e também moedas fortes. Já a Bolsa brasileira (B3) foi afetada pelo recuo do mercado de Nova York perto do final do pregão e caiu 0,22%, aos 111.996,40 pontos.

Depois de fechar janeiro com desvalorização de 4,84%, a divisa acumula baixa de 0,96% neste mês e já perde 5,76% em 2022.

Além da maré positiva para emergentes, que ganhou mais corpo na etapa vespertina, operadores atribuíram a baixa mais expressiva do dólar por aqui a fluxos pontuais de recursos externos, em especial para renda fixa, e a ajustes de posições no mercado futuro (que ganham com a alta do dólar), que trabalhou com liquidez bastante reduzida.

O apetite mais reduzido por negócios revela certa cautela diante da agenda carregada aqui e no exterior: ata do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã, IPCA de janeiro na quarta-feira, 9, e índice de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos na quinta-feira, 10, que pode reiterar a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de subir os juros já em março.

Nas mesas de operação, comenta-se que há certo receio também em torno das PECs dos combustíveis apresentadas na Câmara dos Deputado e no Senado, embora o provável aumento do risco fiscal ainda não seja fato preponderante na formação da taxa de câmbio.

"Os investidores voltam a ficar atentos ao risco fiscal do País diante da proposta de PEC dos Combustíveis ampliada no Senado, incluindo auxílio diesel de R$ 1.200 em 2022 e 2023 e vale gás para baixa renda neste ano e em 2023", diz o economista-chefe da J.F.Trust, Eduardo Velho. Ele avalia que a pressão política para mais gastos públicos em ano de eleições presidenciais deve desgastar ainda mais a equipe econômica, que pode vir a ser ignorada pelo Executivo.

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes - experimentou algumas trocas de sinal e operava com viés, na casa dos 95,400 pontos, apesar dos ganhos em relação ao euro. A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou hoje, em discurso no parlamento europeu, que a inflação deve seguir elevada no curto prazo, mas que, no longo prazo, é consistente com a expectativa da instituição.

Para o operador Hideaki Iha, da Fair Corretora, a performance do real só pode ser explicada por algum fluxo mais forte de entrada de recursos ao longo da tarde ou desmonte de operação comprada (que ganha com o avanço da moeda americana) no mercado futuro. "Com essa questão da PEC dos Combustíveis, não era para o dólar estar caindo tanto aqui hoje. O real está muito melhor que outros emergentes. Vejo esse movimento como algo pontual", diz.

Iha observa que a possibilidade de nova rodada de apreciação do real parece menor, uma vez que grande parte das posições compradas em dólar já foram desmontadas e, com a taxa de câmbio nos níveis atuais, é recomendável manter algum nível de hedge (proteção) cambial. "Um estresse maior lá fora ou com essas medidas populistas do governo pode fazer o dólar subir de novo", diz o operador da Fair.

Bolsa

Ibovespa teve um pregão volátil e tocou no negativo por várias vezes, se firmando no positivo perto do fim das negociações, com a ajuda de Nova York - que virou o sinal no final do pregão e fechou em baixa. O Dow Jones ficou estável, mas o S&P 500 e o Nasdaq caíram 0,37% e 0,58%. Em resposta, a Bolsa brasileira também cedeu e perdeu o patamar dos 112 mil pontos.

No mês, a Bolsa brasileira cai 0,13%, ainda acumulando ganho de 6,84% no ano, não muito aquém do visto ao longo de janeiro, quando teve seu melhor desempenho desde dezembro de 2020. Hoje, os mercados acionários foram afetados pelo avanço da renda fixa americana, na esteira da possibilidade do Fed elevar os juros já em março.

Apesar disso, "o Brasil acaba sendo favorecido ante outros emergentes pelo peso que as commodities têm na B3, no momento em

que se vê rotação das ações de crescimento (tecnologia) para as de valor em Nova York”, acrescenta. “Haverá volatilidade, sem dúvida, mas no médio prazo ainda há oportunidades, principalmente em commodities, bancos e utilities”, diz Alexandre Brito, sócio da Finacap Investimentos.

Entre as ações de grande peso, CSN subiu 3,15% e Usiminas, 3,25%, enquanto na contramão, Bradesco caiu 0,35% e Banco do Brasil, 1,15%. Já as ações ON e PN de Petrobras caíram 1,20% e 1,47%, na esteira do recuo do petróleo no exterior: o WTI para março caiu 1,07%, a US$ 91,32 o barril, enquanto o Brent para abril cedeu 0,62%, a US$ 92,69 o barril. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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