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Bolsa avança 1,5% com BC dos EUA mais favorável aos estímulos; dólar sobe

Ata da última reunião do Federal Reserve deixou de lado o tom mais duro e sinalizou que ainda não é a hora de retirar as medidas de incentivo adotadas durante a pandemia; cenário político pressionou o dólar

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2021 | 15h06
Atualizado 07 de julho de 2021 | 18h22

A divulgação da ata mais recente da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nesta quarta-feira, 7, deu alívio ao mercado, principalmente após mostrar que a entidade está mais aberta aos estímulos, sem o tom duro (hawkish) visto nos últimos comentários de dirigentes do BC dos Estados Unidos. Com Nova York batendo recorde, a Bolsa brasileira (B3) fechou em alta de 1,54%, aos 127.018,71 pontos. O dólar, no entanto, subiu 0,60%, cotado a R$ 5,2403, no maior valor de fechamento desde 27 de maio.

Vindo de duas perdas nas sessões anteriores, o Ibovespa conseguiu, com o apoio do Fed, sustentar alta acima de 1%, retomando o patamar dos 127 mil pontos visto na última sexta-feira, 2, após bater nos 125 mil pontos na mínima. Na semana, o índice de ações cede 0,47%, colocando os ganhos do mês a 0,17% e os do ano a 6,72%.

Hoje, desde a manhã, os investidores mostraram algum apetite, favorecido por leitura positiva, ainda que abaixo do esperado, para as vendas do varejo em maio e por tom ameno na participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência em comissão da Câmara dos Deputados. "As declarações de hoje do Guedes com relação à reforma tributária, mais moderadas e parecendo uma revisão do que havia defendido, sobre aumento de carga, ajudaram desde mais cedo. O que se teve hoje é volatilidade: nos últimos dias, o Ibovespa vinha caindo com os ruídos políticos, e hoje, (teve) uma retomada do interesse por compras, também pontual", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença.

"Para o mercado, o início da discussão sobre esta nova fase da reforma tributária não havia caído bem e, hoje, na Câmara, Guedes mostrou disposição para negociar, para fazer algum tipo de concessão. Os dados do varejo também ajudaram, reforçando a perspectiva para o segundo semestre. Assim, depois de uma realização forte, os investidores voltam a tomar posição, na compra, especialmente em papéis associados ao varejo. É o que vimos hoje", diz Nicolas Farto, especialista em renda variável da Renova Invest, escritório ligado ao BTG.

Ele destaca também a leitura favorável feita pelo mercado, aqui e fora, sobre a ata do Fed, divulgada no meio da tarde, momento em que o Ibovespa foi buscar novas máximas para o dia. "Apesar do tom já um pouco mais 'hawkish' de parte dos integrantes do Fomc (o comitê de política monetária do Fed), houve a percepção de que o Federal Reserve ainda vê a inflação como fenômeno transitório", diz o analista. Além disso, a entidade monetária também sinalizou que irá manter as medidas de estímulo, como o programa de compra dos títulos públicos.

"A ata do Fed sinalizou que a economia está se recuperando, mas de forma muito heterogênea entre as nações e entre os setores da economia", observa Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos. "As projeções para inflação e emprego ainda estão longe das metas que eles ancoraram, mas as condições financeiras estão melhorando. Então, estão mirando uma inflação mais alta do que de costume, um pouco acima de 2% ao ano, e estão reforçando que esta inflação é temporária", acrescenta.

No Brasil, "os dados de venda do varejo foram positivos, embora abaixo do esperado para maio, e o desempenho do varejo colocou as ações de Magalu entre os destaques da manhã, além de CSN e Localiza", diz Braulio Langer, analista da Toro Investimentos, acrescentando ser "natural a recuperação do Ibovespa após as perdas recentes". No fechamento, Magazine Luiza mostrava ganho de 4,46%, quinta maior alta da sessão entre as componentes do Ibovespa, atrás de Locamérica, com 5,46%, e Localiza, com 5,42%. No lado oposto, PetroRio caiu 1,98% e CVC, 0,95%.

Se, ontem, as perdas se mostraram bem distribuídas por empresas e setores, com apenas três ações em alta no fechamento da terça feira, a recuperação de hoje também se deu em base ampla, alcançando também os segmentos de maior peso no índice, como commodities, com Petrobrás PN em alta de 1,37%, Vale ON, de 0,29%, siderurgia, com destaque para os ganhos de CSN ON e Usiminas, de 3,45% e 1,49% e bancos, com Itaú PN em alta de 1,40% e Banco do Brasil ON, de 1,34%.

Câmbio

O mercado de câmbio viveu um pregão de extrema volatilidade nesta quarta-feira, 7, com o dólar à vista oscilando quase 11 centavos entre a mínima e a máxima, em dia marcado por divulgação da ata do Fed, declarações de Guedes e depoimento, na CPI da Covid, do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, acusado de pedir propina para aquisição da vacinas. Momentos após o fechamento do mercado, ele foi preso pela CPI, acusado de crime de perjúrio.

Foi o sétimo pregão seguido de ganhos da moeda americana, que já acumula valorização de 3,70% nesta semana e de 5,37% em julho, depois de ter recuado 4,82% no mês passado. Na mínima,  o dólar bateu em R$ 5,1708 e na máxima, foi a R$ 5,2807. O dólar para agosto subiu 0,66%, a R$ 5,2460.

Operadores relatam que ainda pesa sobre o mercado o desconforto com as consequências da perda de popularidade e do capital político do presidente Jair Bolsonaro, o que poderia comprometer a agenda de reformas ou levar o governo a uma guinada populista.

head de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weig, destaca que o real é a pior e a mais volátil entre as moedas emergentes. Particularidades técnicas do mercado de câmbio brasileiro têm exacerbado a volatilidade e o impacto das questões políticas na formação da taxa de câmbio nos últimos dias, ressalta. 

"Os exportadores estão deixando o dinheiro no exterior. Já são mais de US$ 50 bilhões lá fora. Por conta disso, o mercado está muito nas mãos dos especuladores, o que deixa a taxa de câmbio muito mais volátil no curto prazo", diz Weig. Ele considera, porém, que o dólar já subiu demais. E, embora não descarte novas altas no curto prazo, com a moeda americana chegando a busca R$ 5,40, já se sente confortável em ser "vendedor" de dólares, embora de forma parcimoniosa. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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