Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa se apoia em Nova York e sobe, apesar de tensão com ata do Copom; dólar avança

Ata do comitê deixou mercado confuso, pois apesar de falar em alta da Selic, ela sinalizou uma desaceleração nos ajustes e não indicou qual ritmo será adotado

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2022 | 17h27
Atualizado 08 de fevereiro de 2022 | 19h04

Apesar da tensão dos investidores em torno da mensagem conservadora - e pouco esclarecedora -, do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic, a Bolsa brasileira (B3) conseguiu se livrar do mau humor perto do final das negociações desta terça-feira, 8, e fechou em alta de 0,21%, aos 112.234,46 pontos, apoiada no bom desempenho de Nova York. No câmbio, porém, as incertezas internas e externas fizeram o dólar subir 0,11%, cotado a R$ 5,2606.

A acentuação dos ganhos em Nova York - que já vinha de um dia positivo -, também no final do pregão, ajudou o Ibovespa a virar a chave. Em Wall Street, o Dow Jones teve alta de 1,06%, o S&P 500, de 0,84% e o Nasdaq, de 1,28%. Na semana, o índice cede 0,01% e, no mês, sobe 0,08%, avançando agora 7,07% no ano.

Em ata divulgada hoje, o Banco Central disse que a perspectiva de aumento da taxa básica de juros se mantém, mas sinalizou uma desaceleração nos ajustes e não indicou claramente qual deverá ser o ritmo adotado. Com isso, houve alterações em projeções para a taxa básica no final do ciclo em diversas casas de análise.

Entre eles, o Itaú Unibanco elevou a sua projeção de taxa Selic terminal, de 11,75% para 12,50%. O banco manteve a expectativa de alta de 1,0 ponto da Selic em março, a 11,75%, mas não divulgou as suas estimativas para o restante do ciclo. Já a pesquisa do Projeções Broadcast realizada após a ata mostra que o mercado agora vê a Selic terminal em 12,25%, com fim do ciclo em maio.

O economista-chefe da Necton, André Perfeito, diz, em nota, manter sua projeção de Selic a 12% em 2022, após uma primeira leitura da ata. "Acredito que a estratégia que faça mais sentido seja estender um pouco mais no tempo o aperto da taxa básica, dando tempo para o BC avaliar as condições correntes da inflação e das expectativas", avalia.

Para economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, o tom da ata veio mais duro em relação ao comunicado da semana passada, quando o Copom subiu a Selic de 9,25% para 10,75% ao ano, indicando desaceleração no ritmo à frente. "Isso tende a penalizar a atividade, pois a percepção em relação ao doméstico está machucada", avalia Carla, citando que a ata deixa explícito que a inflação está mais elevada e que a atividade tem viés negativo.

Entre as ações, Banco Inter subiu 8,13%, Banco Pan, 7,87%, e Natura, 5,35%. No lado oposto, Hapvida, caiu 3,97% e BR Malls, 3,64%. Entre as ações de grande peso, o ajuste negativo do petróleo colocou Petrobras ON e PN entre as perdedoras do dia, com baixas de 1,44% e 1%, respectivamente.

Vale, em alta de 1,40%, "contribuiu para segurar o índice, em dia misto para os bancos [ao fim, Itaú subiu 1,11%, e Bradesco, 0,57%] antes da divulgação do balanço do Bradesco", diz Naio Ino, responsável pela mesa de trading de equities da Western Asset

Câmbio

O dólar esboçou um movimento de recuperação nesta quarta, em meio ao sinal positivo da moeda no exterior. Investidores também começam a se posicionar para divulgação, na quinta-feira, 10, do índice de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos em janeiro. Se a inflação vier mais pressionada que o previsto, vão crescer as apostas em ação mais agressiva do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Apesar da divulgação da ata do Copom, o pregão foi morno, com oscilações modestas da taxa de câmbio. Afora uma queda pontual pela manhã, a moeda trabalhou com sinal positivo ao longo do dia. O dólar perde 0,85% em fevereiro e 5,65% no acumulado do ano.

De forma geral, a avaliação é que, a despeito da expectativa de manutenção de um diferencial de juros elevado, na esteira do aceno do Copom, o dólar experimentou hoje uma acomodação no mercado doméstico de câmbio. Há dúvidas se o fluxo de recursos estrangeiros se manterá em ritmo elevado tanto para Bolsa como para a renda fixa, apesar de o Brasil ter taxa real de juros muito atraente.

O diretor de estratégia da Inversa Publicações, Rodrigo Natali, diz que o real se beneficiou do fluxo positivo de recursos estrangeiros, fruto da rotação das carteiras promovida pelos investidores estrangeiros em janeiro. "Fluxo uma hora acaba. Eu vejo os ativos domésticos com um desempenho aquém dos externos daqui para frente. O dólar deve subir tanto lá fora, principalmente frente ao euro, quanto aqui dentro", diz Natali, que vê espaço para a taxa de câmbio voltar para um patamar entre R$ 5,40 e R$ 5,50. "Com fluxo forte, parece que o mercado deixou de lado a questão fiscal e o risco das eleições. Mas isso pode voltar a ser justificativa para uma alta do dólar".

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes - subiu cerca de 0,20%, ao redor dos 95,600 pontos. A moeda americana teve comportamento misto em relação a emergentes e com alta frente a dois pares do real (peso mexicano e chileno) e queda frente ao rand sul-africano. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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