Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Com exterior positivo, mas risco fiscal local, Bolsa encerra o dia em leve queda

Dados positivos da China deram impulso às commodities, favorecendo papéis ligados a matérias-primas, como os de mineração e siderurgia; incertezas a respeito da PEC dos precatórios pressionou o dólar, que encerrou em alta

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2021 | 16h24
Atualizado 09 de novembro de 2021 | 11h05

Os ativos domésticos ficaram divididos entre algum otimismo no mercado externo e notícias sobre a votação da PEC dos precatórios, que ora traziam alívio, ora cautela. Até por isso, não sem alguma volatilidade, enquanto os juros experimentaram melhora, o dólar voltou a subir e a Bolsa ficou de lado. 

No caso da renda variável, dados positivos da China deram impulso às commodities, favorecendo papéis ligados a matérias-primas, como os de mineração e siderurgia. Além disso, sinais de que um aumento de juros nos EUA ainda deve demorar, vindos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o BC americano), ajudaram a puxar os ganhos moderados vistos em Wall Street, em mais um pregão de recordes para os principais índices. 

O desempenho, contudo, foi limitado pelas incertezas sobre a PEC dos precatórios, depois que a ministra Rosa Weber, do STF, pediu explicações sobre a votação do projeto em primeiro turno na Câmara. Ao mesmo tempo, o presidente da Casa, Arthur Lira, garantiu a votação em segundo turno nesta terça-feira, 9, o que aplacou um pouco do sentimento de cautela. 

No fim, após altas e baixas, o Ibovespa terminou com leve baixa de 0,04%, aos 104.781,13 pontos. Os juros futuros, por sua vez, refletiram a expectativa de que a PEC caminhe para se resolver nesta terça na Câmara, o que propiciou queda das taxas intermediárias e longas. Não é que os investidores passaram a gostar da proposta. Mas a leitura é de que, se não for aprovada, a solução para pagar o Auxílio Brasil de R$ 400 pode ser via créditos extraordinários, o que seria ainda pior para o quadro fiscal. 

Enquanto isso, a inflação salgada, como mostrou o IGP-DI, e declarações do diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, admitindo que, se necessário, o aperto da Selic pode ser maior do que o de 1,5 ponto porcentual, puxaram as taxas curtas, que já precificam alta de 2 pontos para a taxa básica em dezembro. Até porque, o dólar segue em patamares elevados. Nesta segunda, a divisa até ficou menos pressionada após Lira falar sobre a votação da PEC, mas a incerteza sobre o que vem pela frente em relação a essa PEC, tanto no que diz respeito ao pedido de Rosa Weber quanto sobre a votação no Senado, ainda pesou mais. Assim, o dólar teve avanço de 0,33%, a R$ 5,5410.

Do outro lado do Atlântico, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, afirmou que a entidade vai agir alterando a taxa bancária - que define o juro básico no Reino Unido - caso perceba que a alta inflação está sendo repassada para os salários dos britânicos.

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