Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Dólar vai a R$ 5,24 após dirigente do Fed falar em alta dos juros nos EUA; Bolsa sobe

Presidente da distrital de St. Louis do banco central dos EUA defendeu um aumento mais duro na taxa de juros do país; inflação anual americana é a mais alta desde 1982

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2022 | 16h46
Atualizado 10 de fevereiro de 2022 | 18h57

A fala mais dura de um dirigente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre a alta dos juros nos Estados Unidos afetou negativamente o mercado de Nova York e teve reflexo no dólar, que fechou em alta de 0,29%, cotado a R$R$ 5,2418. Apesar disso, a Bolsa brasileira (B3) seguiu incólume em sua trajetória de alta e subiu 0,81%, aos 113.367,77 pontos.

O dólar à vista trocou de direção diversas vezes ao longo do dia. Hoje, a moeda americana teve um comportamento misto tanto em relação a divisas fortes quanto emergentes - operando em queda firme na comparação com rand sul africano e o peso chileno, mas em alta frente ao peso mexicano, o rublo e a rupia indiana. Instável, o real trabalhou ora no grupo dos vencedores, ora no dos perdedores. Na mínima, o dólar tocou em R$ 5,1748 e na máxima, em R$ 5,2509. Em 2022, o dólar tem desvalorização de 5,99%.

O clima azedou após o presidente do Federal Reserve (Fed) de St. Louis, James Bullard dizer que gostaria de ver um aumento de 100 pontos-base na taxa de juros dos EUA - hoje entre 0% e 0,25%. Ele, que tem direito a voto nas reuniões deste ano do comitê do Fed afirmou que apoia o primeiro aumento em uma reunião de 50 pontos-base nos juros desde 2000.

A declaração vem depois de os preços voltarem a subir nos EUA. Hoje, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), principal indicador de inflação nos EUA, subiu 0,6% em janeiro ante dezembro. O resultado superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 0,4% no mês passado. Na comparação anual, o CPI deu um salto de 7,5% em janeiro, o maior desde fevereiro de 1982 e acima da projeção de alta de 7,2%.

"O Fed vê o controle da inflação como sua principal prioridade. O CPI forte aumenta a perspectiva do BC iniciar seu ciclo de aperto em março, seguido por aumentos de juros consecutivos nas reuniões seguintes", avalia a Oxford Economics. Caso o Fed veja um aumento de 50 pontos como muito agressivo para iniciar o ciclo de alta do juro básico, essa possibilidade estará aberta para outras decisões neste ano, completa a casa.

Para o head da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, o ambiente de volatilidade deve permanecer, mas o real pode continuar a se valorizar daqui para frente, caso não haja notícias internas muito negativas. "O Brasil tem uma taxa real de juros de 6%. Os preços das commodities, como milho, soja e café, estão altíssimos em dólar. É claro que se houver um estresse muito forte lá fora, o real vai sentir. Mas não é isso que está no radar", afirma Weigt.

A tese da rotação de portfólio, com investidores abandonando países desenvolvidos para buscar pechinchas entre ativos emergentes, como ações e moedas, ainda predomina nas mesas de operação. Com a perspectiva de novas altas da Selic, após a ata do Copom e declarações, ontem, do diretor de política monetária do Banco Central, Bruno Serra, a renda fixa brasileira fica cada vez mais atraente.

O professor Alexandre Cabral, que atua na B3 na Anbima, observa, que, entre 1º até 4 de fevereiro, os estrangeiros compraram US$ 931 milhões em ações. Como a entrada líquida de dólares nesse período foi de US$ 3,85 bilhões, conclui-se que a maior parte dos recursos externos (US$ 2,92 bilhões) acabou indo para renda fixa e fundos.

Bolsa

A valorização de ações de primeira linha e entrada de fluxo externo impulsionaram o Ibovespa, em dia de forte recuo de Nova York com diante do cenário inflacionário dos EUA. Hoje, o Dow Jones caiu, 1,47%, o S&P 500, 1,81%, e o Nasdaq, 2,10% - o índice tecnológico foi o mais afetado, já que o setor é mais suscetível ao aumento das pressões inflacionárias, destaca Edward Moya, analista da Oanda.

Na segunda etapa dos negócios, o bom desempenho do índice foi puxado sobretudo por papéis ligados a commodities, com Vale subindo 2,69% e Petrobras com valorização de quase 2%. Os investidores esperam bons resultados para as duas gigantes, que apresentam resultados no fim do mês. As ações ligadas a metais subiram ainda na esteira da alta de 4,3% do minério de ferro na China.

Ajuda também a recuperação do setor financeiro, que subia praticamente em bloco, após dia negativo ontem. O Bradesco, que puxou o desempenho para baixo de ontem após resultados que desapontaram o mercado, tinha hoje alta de quase 1,44% nas ações preferenciais. Ainda no setor, Itaú subiu 1,91%, Santander, 1,80%, e o Banco do Brasil, 1,10%. Em 2022, o principal índice da Bolsa brasileira acumula alta de 8,15%. /ANTONIO PEREZ, BÁRBARA NASCIMENTO E MAIARA SANTIAGO

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