Amanda Perobelli/Reuters
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Bolsa fecha em alta de 1,8% apoiada em exterior favorável; dólar cai 1,67%, a R$ 5,57

Comprometimento do Federal Reserve com o controle da inflação nos Estados Unidos ajudou no bom desempenho do mercado nesta terça-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2022 | 14h23
Atualizado 11 de janeiro de 2022 | 19h34

A decisão do banco central americano de reafirmar sua intenção de apertar a política monetária, em uma tentativa de controlar a inflação dos Estados Unidos, ajudou no bom desempenho dos mercados. Em resposta, nesta terça-feira, 11, em sintonia com Nova York, a Bolsa brasileira (B3) fechou em forte alta de 1,80%, aos 103.778,98 pontos - na maior alta porcentual desde 2 de dezembro -, enquanto no câmbio, o dólar caiu 1,67%, a R$ 5,5798.

Em discurso no Senado dos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, disse que o Fed usará todos os instrumentos a seu alcance para assegurar um firme crescimento econômico combinado com inflação em níveis estáveis nos EUA.

Powell comentou, ainda, que está confiante com o cenário econômico e salientou que a expectativa é de que haja arrefecimento das pressões inflacionárias ao longo do tempo, mas ainda é incerto o quão rápido isso ocorrerá. "As pressões inflacionárias estão a caminho de persistir até pelo menos metade deste ano."

Os índices de Nova York, que vinham em baixa até o começo da tarde, mudaram de direção e passaram a subir após a fala de Powell - Dow Jones subiu 0,51%, enquanto S&P 500 e Nasdaq avançaram 0,92% e 1,41% cada. "Desde a ata do Fed, o mercado começou a precificar quatro aumentos na taxa de juros este ano, com início já em março. Hoje, foi importante a referência do Powell a duas, três ou quatro reuniões para tomar decisão", diz Victor Miranda, sócio da One Investimentos

Ainda assim, mesmo com o viés de alta para a taxa de referência, Powell ressalvou que os EUA estão em "uma era de juros extremamente baixos", o que agrada ao mercado. "Powell acredita que o Fed tomará medidas para normalizar a política este ano. Wall Street sabe que os aumentos das taxas de juros estão chegando e as expectativas agora são de até 85% para um aumento em março", observa em nota Edward Moya, analista da OANDA em Nova York.

A Capital Economics avalia que o presidente do Federal Reserve ecoou hoje "uma retórica crescentemente mais hawkish" que, para a consultoria, tem sido também mostrada por outros dirigentes. Em relatório a clientes, a consultoria diz que a postura de Powell ainda é condizente com uma provável elevação de juros em março.

Enquanto os Estados Unidos estão cortando estímulos e acenando com juros mais altos, a China mantém viés afrouxado para sua política monetária, o que tem resultado em recuperação para os preços de commodities como o petróleo, em retomada ante o nível observado no surgimento da Ômicron, e especialmente o minério de ferro, este no maior nível em três meses, aponta Miranda, da One Investimentos.

O dia, contudo, foi de mais um degrau na recuperação dos preços de commodities importantes para a B3. Com o Brent para março em alta de 3,5% nesta terça-feira, e o aumento anunciado pela Petrobras para gasolina e diesel, as ações ON e PN da empresa fecharam em alta, respectivamente, de 4,13% e 2,96%, enquanto Vale avançou 1,90% - na China, o minério encerrou a terça-feira a US$ 129,17 por tonelada, em alta de 2,74%.

No ano, o Ibovespa ainda acumula perda de 1,00% frente aos 104,8 mil pontos do fim de 2021. Na semana, sobe agora 1,03%.

Câmbio

Uma recuperação mais acentuada do apetite por ativos de risco ao longo da tarde, na esteira de declarações do presidente do Fed, abriu espaço para uma queda expressiva do dólar na sessão desta terça. Já em baixa pela manhã, mas ainda acima da linha de R$ 5,60, a moeda renovou sucessivas mínimas na segunda etapa de negócio, em sintonia com o ambiente externo. Na mínima, bateu em  R$ 5,5688, queda de 1,86%.  Com o tombo de hoje, o dólar praticamente zerou a alta acumulada no ano, que passou a ser de apenas 0,07%

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes - passou a trabalhar em queda firme e registrou mínimas na casa de 95,500 pontos ao longo da tarde. A moeda americana também caiu em relação à maioria das divisas de países emergentes e de exportadores de commodities.

A economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, atribui a apreciação do real hoje a perspectiva de mais aumentos da taxa Selic, na esteira do IPCA de dezembro. Após subir 0,95% em novembro, o índice oficial de inflação desacelerou para 0,73% em dezembro, mas veio acima da mediana de Projeções Broadcast (0,65%). A taxa de inflação acumulada em 2021 foi de 10,06%, patamar bem superior ao centro da meta, de 3,75%.

A economista do Ourinvest pondera, contudo, que não é possível vislumbrar uma calmaria no mercado de câmbio doméstico. "O Fed segue com discurso duro sobre a inflação, sugerindo que esse movimento da taxa longa americana é momentâneo. Aqui, mesmo que o BC aumente os juros até onde achamos que vai aumentar, para 12%, ainda teremos motivos locais de pressão e volatilidade no câmbio, como as eleições", afirma.

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