Werther Santana/Estadão - 18/06/2021
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Risco de Rússia invadir a Ucrânia afeta desempenho da Bolsa e do dólar; Nova York cai

Casa Branca disse que Vladimir Putin planeja invadir o país antes do fim das Olimpíadas de Inverno; ganho das ações do Itaú e da Petrobras apoiaram leve alta do Ibovespa

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2022 | 16h33
Atualizado 11 de fevereiro de 2022 | 19h02

O risco de uma eventual invasão na Ucrânia pela Rússia mexeu com o desempenho dos ativos nesta sexta-feira, 11, em especial da Bolsa brasileira (B3), que apesar de ter subido forte mais cedo, terminou o dia com uma leve alta de 0,18%, aos 113.572,35 pontos - na semana, avançou 1,18% e no ano, 8,35%. Em Nova York, os índices caíram forte, enquanto o dólar, que chegou a ceder no começo da sessão, fechou com variação positiva de 0,01%, a R$ 5,2424.

O clima é de tensão no exterior, após notícias de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, teria decidido invadir a Ucrânia. A Casa Branca avalia que a invasão pode acontecer nos próximos dias e pediu, junto ao Reino Unido, que seus cidadãos deixem imediatamente o território ucraniano, que está quase totalmente cercado por forças hostis e separatistas, segundo as Forças Armadas locais. Os principais líderes do Ocidente se reuniram virtualmente para tratar sobre a crise com a Rússia.

Em coletiva à imprensa, o conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, disse que as autoridades americanas calculam que Putin irá invadir a Ucrânia antes do fim das Olimpíadas de Inverno, que se encerram no dia próximo dia 20. O presidente americano Joe Biden disse estar "lidando com um dos maiores Exércitos do mundo e as coisas podem sair do controle rapidamente".

A notícia mexeu com os ativos, em especial o mercado de Nova York - o Dow Jones fechou em baixa de 1,43%, o S&P 500, de 1,92% e o Nasdaq, de 2,81%. Por aqui, o conflito também afetou em cheio o Ibovespa, que chegou perto de tocar o patamar dos 115 mil pontos - nível não visto desde 16 de setembro passado -, após bater nos 114,9 mil pontos na máxima do dia.

"Os traders de ações rapidamente apertaram o 'botão de venda' após relatos de que os Estados Unidos esperam que a Rússia avance com a invasão da Ucrânia. Esperava-se um período de calma em relação à situação, mas isso não parece mais ser o caso", observa em nota Edward Moya, analista da Oanda em Nova York.

O bom desempenho das ações da Petrobras, com a ON em alta de 4,49% e a PN, de 4,07%, evitaram que o índice brasileiro virasse para o negativo. Os papéis da estatal subiram na esteira da valorização do petróleo no exterior, cujos contratos avançaram mais de 3%, já que o conflito pode aumentar a demanda pelo óleo. 

"A Petrobras vai se beneficiar muito da situação, porque ela é uma grande exportadora da região. Com uma possível guerra, muitos países poderão ter dificuldades de explorar ou até ter seus campos de exploração atingidos", avalia Julia Monteiro, analista da MyCap. "Esse bloco de oposição à Rússia promete sanções severas contra o país, que também é um dos grandes exportadores de petróleo. Se a Rússia não conseguir escoar petróleo, vai faltar a commodity no mundo e o Brasil poderá ser beneficiado", acrescenta.

Além das ações da petroleira, a recuperação do setor bancário, em especial o Itaú, também impediram que o Ibovespa virasse para o negativo. Hoje, os papéis do banco subiram 5,91% e ajudaram no desempenho do segmento, com Santander em alta de 1,08% e Bradesco, de 1,10%. Os três maiores bancos privados do país terminaram 2021 com uma alta de 30% no lucro.

Os resultados do quarto trimestre de 2021 solidificaram o Itaú como o banco mais valioso da América Latina, um posto que tem trocado de dono como poucas vezes se viu na história recente. Além de elevar seu lucro em 45% no ano passado, o conglomerado cresceu em todas as linhas de crédito, batendo recorde em financiamento imobiliário e emissão de cartões. O banco ainda avançou em iniciativas digitais e gerou receitas o suficiente para reforçar seu colchão contra a inadimplência.

Câmbio

A onda de aversão ao risco impediu que a taxa de câmbio, como o desenrolar do pregão sugeria, fechasse abaixo de R$ 5,20 - algo que não ocorre desde 6 de setembro do ano passado. Em baixa durante todo o dia, o dólar chegou a acelerar o ritmo de queda ao longo da tarde e, em consonância com a valorização da Bolsa, desceu até a mínima de R$ 5,1814, baixa de 1,15%.

O real se valorizava de mãos dadas com seus principais pares, como o peso mexicano e o rand sul-africano, surfando a tese de rotação global de carteiras, que leva investidores a abandonar a Bolsa americana para alocar em ativos emergentes depreciados. A maré virou pouco antes das 16h, quando a chance de uma invasão levou os investidores a buscarem refúgio no dólar.

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes - acelerou a alta e superou os 96,000 pontos, sobretudo por conta da fraqueza do euro. O dólar também ganhou força em relação a divisas emergentes, diminuindo as baixas frente ao peso mexicano e passando a operar em alta ante o rand sul-africano, enquanto avançava mais de 3% na comparação com rublo.

Por aqui, a moeda rapidamente correu do patamar de R$ 5,18 para a casa de R$ 5,22, embora ainda seguisse em queda. Nos minutos finais do pregão, com o aguçamento ainda maior da percepção de risco, o dólar chegou a operar em alta, tocando o patamar de R$ 5,24. No acumulado da semana, a moeda perdeu 1,20%.

"Essa queda do dólar está muito relacionada a movimentos técnicos, já que o pano de fundo macroeconômico ainda é ruim", diz a economista-chefe e especialista em câmbio do Banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, ressaltando que, a despeito da queda recente, a taxa de câmbio - que serve como uma medida de percepção de risco - ainda se encontra em patamares elevados. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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