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Dólar fecha a R$ 5,41 com estímulos nos EUA e vacina russa; Bolsa cai 1,2%

Moeda americana foi beneficiada pela possibilidade de um novo imunizante, apesar de especialistas ainda verem o anúncio com cautela

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2020 | 09h12
Atualizado 11 de agosto de 2020 | 18h41

O dólar aprofundou a queda perante o real nesta terça-feira, 11, e fechou com baixa de 0,93%, a R$ 5,4156, em um dia marcado pelo anúncio de uma vacina contra o coronavírus produzida pela Rússia e pelo avanço das medidas de estímulos nos Estados Unidos. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou em queda de 1,23%, aos 102.174,40 pontos, apesar do aumento do apetite por riscos no exterior.

A notícia dada por Vladimir Putin de que um imunizante contra a covid-19 já está pronto para uso animou o mercado, já que as previsões mais otimistas estimavam uma vacina apenas para dezembro. O anúncio, no entanto, é visto com cautela pela Organização Mundial da Saúde e especialistas, já que os testes em humanos duraram menos de dois meses.

Também nesta terça, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os líderes democratas do Congresso americano se mostraram dispostos a negociar novas medidas de ajuda. A colaboração veio após dias de impasses entre republicanos e a oposição em torno de pacote de estímulos de us$ 1 trilhão proposto pelo governo.

Nesse cenário, o dólar aprofundou pontualmente a queda, em um contexto de fraqueza ante emergentes e em meio ao desmonte de posições. Além do real, a moeda também caiu perante o peso mexicano e o rand sul-africano. Nesse sentido, nem mesmo a possibilidade de novos cortes da Selic, segundo ata do Comitê de Política Monetária (Copom), afetaram a divisa.

Na mínima do dia, a moeda era cotada a R$ 5,3729 - ao longo do dia, ela ainda conseguiu mostrar alguma recuperação.  "Por mais que o ambiente internacional tenha sido positivo, muitas vezes nós atrapalhamos, mas não foi o caso hoje porque, por aqui, vemos que o ambiente político está menos tensionado com a possibilidade do andamento das reformas", avaliou  Otávio Aidar, estrategista-chefe e gestor de moedas da Infinity Asset. 

Além do dólar, o ouro também perdeu espaço no mercado e a onça-troy para dezembro encerrou o dia em queda de 4,58%, a US$ 1.946,30. O aumento do otimismo com o anúncio da vacina e os estímulos americanos diminuíram a pressão sob o ativo, que é muito procurado por investidores que querem fugir dos riscos.  

Bolsa

No mercado acionário, a B3 fechou na mínima do dia, após ser afetada pela falta de uma agenda econômica mais consistente para sustentar os ganhos. Entre as perdas, chama a atenção a queda de Petrobrás ON e PN, de 1,70% e 1,58% cada - o movimento veio em sintonia com a queda dos contratos futuros do petróleo - o WTI para setembro, referência no mercado americano, recuou 0,79%, a US$ 41,61 o barril. Já o Brent para outubro, referência no mercado europeu, perdeu 1,09%, a US$ 44,50 o barril.

No Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, também caíram Vale, com 3,09% e os bancos, com destaque para as quedas de 1,45% do Banco do Brasil e de 1,81% do Santander. Com os resultados de hoje, a Bolsa perde 0,58% na semana e 0,72% no mês. No ano, ela cede 11,65%.

Contudo, especialistas apontam que alguma tensão vinda do exterior deve pesar sobre a Bolsa especialmente neste segundo semestre. "Esse período tende a ser mais volátil, com a eleição americana, que passa a ser o foco de todos", observa Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante. Um sinal disso já pode ser visto hoje: no final do pregão, o Ibovespa aprofundou ainda mais as quedas, à espera do anúncio da vice de Joe Biden para a eleição de novembro nos EUA. 

Mercados internacionais

O mercado acionário de Nova York acabou por fechar em queda, ainda à espera de uma colaboração mais formal entre republicanos e democratas sobre os pacotes de ajuda nos EUA, já que apenas a declaração de Trump não bastou aos investidores. Com isso, Dow Jones caiu 0,38%, o S&P 500 recuou 0,80% e o Nasdaq teve baixa de 1,69%, refletindo o impasse entre americanos e chineses em torno dos aplicativos WeChat e TikTok - cujo a Microsoft tenta comprar.

No velho continente, a melhora do índice de expectativas econômicas da Alemanha, que foi de 59,3 pontos em julho para 71,5 pontos em agosto animou os mercados locais e levou o Stoxx 600 a fechar com alta de 1,68%, apoiada também pela vacina russa. Por lá, a Bolsa de Frankfurt subiu 2,04%, a de Londres avançou 1,71% e a de Paris teve alta de 2,41%. Milão, Madri e Lisboa ganharam 2,84%, 2,97% e 0,85% cada.

Já no mercado asiático, um clima misto predominou, com os investidores ainda atentos à tensão entre EUA e China. Por lá, os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto caíram 1,15% e 1,49% cada, enquanto o Taiex perdeu 0,88% em Taiwan. Por outro lado, o japonês Nikkei subiu 1,88%, o sul-coreano Kospi avançou 1,35% e o Hang Seng se valorizou 2,11% em Hong Kong. Na Oceania, a bolsa australiana registrou alta de 0,47%./MAIARA SANTIAGO, SIMONE CAVALCANTI E LUÍS EDUARDO LEAL

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