Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Dólar chega a R$ 5,53, maior valor desde abril, com inflação global no radar; Bolsa cai 0,58%

Em meio à preocupação com inflação global, dólar encerrou o dia com alta de 0,38%

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2021 | 12h58

Pressionado pela preocupação com a inflação e a alta do preço do petróleo, ​​o dólar teve um dia instável nesta segunda-feira, 11, e encerrou o dia cotado a R$ 5,53, com alta de 0,38%, o maior valor desde 20 de abril de 2021. Já a Bolsa encerrou o pregão com queda de 0,58%, aos 112.180 pontos, em um dia com o baixo volume de negociações, em razão do feriado de Columbus Day nos Estados Unidos e do feriado nacional amanhã no Brasil. 

Após tocar a mínima no dia próximo das 12h, a moeda inverteu o movimento acompanhando tendência externa e renovou as máximas ante o real no meio da tarde. Segundo operadores ouvidos pelo Broadcast, serviço de informações financeiras em tempo real do Grupo Estado, o cenário de incertezas globais, sobretudo em relação à persistência da inflação, e locais, com muitos ruídos sobre a saúde fiscal do país, que pesaram durante a semana passada, se intensificaram hoje com a baixa liquidez dos negócios. Nesta segunda, o petróleo ultrapassou a marca de US$ 80 o barril pela primeira vez desde 2014, pelo índice WTI. 

"Seguimos observando uma combinação de fatores da conjuntura local e global que via de regra são pouco positivos para emergentes em geral, e ainda mais para o Brasil", afirma Felipe Sichel, estrategista da Modalmais. "Se intensificaram os fatores de pressão dos últimos dias junto ao cenário de baixa liquidez de hoje."

O movimento de fortalecimento do dólar ante o real segue o observado no exterior. A moeda subia ante emergentes, como o peso mexicano, a lira turca e o rand sul africano. Frente a uma cesta de moedas fortes, medidas pelo índice DXY, o dólar tinha alta de 0,30% às 17h.

Sichel cita sinais dos bancos centrais europeus sobre uma possível persistência da inflação, sobretudo em razão do aumento nos preços das commodities energéticas. Mais cedo, o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, disse que o avanço nos preços de energia tem efeito de contração econômica "de vários modos". Apesar disso, afirmou crer que um choque no preço de energia pode ter efeitos diversos sobre os preços: "Pode ao mesmo tempo elevar o índice cheio de inflação, mas exercer pressão de baixa na trajetória da inflação subjacente".

Lane afirmou ainda que a alta nos preços de energia deve ser transitória, o que vai de encontro ao que disse o economista-chefe do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Huw Pill, no fim da semana passada, para quem a duração do recente salto inflacionário está se provando maior do que o esperado.

No Brasil, são as pressões políticas para que o governo aumente os gastos e inclua novas despesas no Orçamento que ameaçam a segurança dos investidores. Além disso, relatos de pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, alimentam ainda mais a insegurança do mercado. 

Apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter arquivado o pedido de investigação contra o ministro em relação à companhia offshore no exterior, há uma percepção de que a imagem de Guedes pode ter se desgastado e a aprovação de novas medidas econômicas no Congresso deve ser difícil. O próximo passo no radar em relação ao ministro é a sessão plenária da Câmara que o convocou a prestar esclarecimentos, ainda sem data marcada.

Bolsa

Vindo de alta de 2% na sexta-feira e de uma série de quatro sessões sem recuos, o Ibovespa perdeu força à tarde e virou para o negativo, em linha com a pressão sobre o dólar e as ações de bancos, enquanto, em Nova York, os índices de referência também devolviam os ganhos vistos pela manhã no feriado nos Estados Unidos, em que os negócios com ações prosseguem, embora com liquidez menor.

Ao final, o índice da B3 mostrava baixa de 0,58%, aos 112.180,48 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 28,8 bilhões nesta segunda-feira. No mês de outubro, o Ibovespa tem leve recuperação de 1,08%, limitando as perdas do ano a 5,74%.

Mercados internacionais

Já as bolsas de Nova York fecharam em baixa nesta segunda-feira, após sessão volátil em que os índices acionários abriram sem direção única e chegaram a subir em bloco no fim da manhã, trajetória que foi revertida durante a tarde. O feriado de Columbus Day nos EUA reduziu o volume de negociações em Wall Street à medida que manteve o mercado de Treasuries fechado. Investidores também digerem sinais de baixa para a economia americana e esperam pelo início da temporada de balanços corporativos nesta semana.

O Dow Jones fechou em queda de 0,72%, aos 34.496,06 pontos, o S&P 500 teve baixa de 0,69%, aos 4.361,19 pontos, e o Nasdaq registrou perdas de 0,64%, aos 14.486,20 pontos. / Bárbara Nascimento, Gabriel Caldeira, Luís Eduardo Leal e Luísa Laval

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