Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Bolsa tem alta de 1,84% após inflação dos EUA vir dentro do esperado; dólar cai a R$ 5,53

Inflação ao consumidor teve avanço de 0,5% em dezembro, reforçando a decisão do banco central americano de elevar os juros já nos próximos meses

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2022 | 14h22
Atualizado 12 de janeiro de 2022 | 19h22

Apoiada no resultado em linha com o esperado para a inflação dos Estados Unidos, a Bolsa brasileira (B3) fechou em forte alta nesta quarta-feira, 12, com ganho de 1,84%, aos 105.685,66 pontos. Em Nova York e na Europa, o clima também foi positivo. No câmbio, o dólar fechou em queda de 0,81%, a R$ 5,5348 - menor valor desde 8 de dezembro do ano passado.

A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,5% em dezembro, na margem, praticamente em linha com a expectativa de analistas de alta de 0,4%. No acumulado de doze meses, a alta de é 7% - maior resultado desde 1982. O indicador é a principal medida de inflação americana.

"A inflação dos Estados Unidos não trouxe surpresas e ajudou bastante, desde a manhã. Estamos mais fortes, principalmente pelas commodities, que têm performado bem, tanto o petróleo como o minério. Além disso, o fechamento das curvas longas de juros contribui para dar uma acalmada no nosso cenário macro, favorecendo hoje principalmente o setor de varejo (na B3), muito sensível à questão de juros e inflação", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Assim, na ponta do Ibovespa nesta quarta, destaque para as administradoras de shoppings, como Iguatemi, em alta de 8,31%, Multiplan, de 6,54%, e BR Malls, de 5,93%, assim como para varejistas como Magazine Luiza, com ganho de 7,50%, e Lojas Renner, de 5,98%.

"O grande destaque foi de novo o mercado americano, com a leitura sobre a inflação ao consumidor, número importante após as referências de ontem do [presidente do BC dos EUA, Jerome] Powell no Senado, quando contribuiu para amenizar temores, conciliando controle inflacionário com juros mais altos, mas sem redução imediata do balanço do Fed [Federal Reserve, o banco central americano], que prejudicaria a retomada econômica. Nada de pressa e de aceleração de movimentos", diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.

"O mercado espera 0,25 ponto porcentual de alta na taxa de juros dos EUA em março, o que corresponde agora a 85% das apostas. A sinalização contribui para essa recuperação do Ibovespa, assim como o avanço das commodities", diz Antonio Carlos Pedrolin, líder da mesa de renda variável da Blue3.

No exterior, os índices de Nova York subiram - Dow Jones,  S&P 500 e Nasdaq avançaram 0,11%, 0,28% e 0,23% cada. Os principais índices europeus também fecharam em alta - a Bolsa de Londres subiu 0,81%, a de Frankfurt, 0,43% e a de Paris, 0,75%. Na máxima do dia, o Ibovespa foi aos 105.869,32 pontos, alta de 2% - maior nível intradia desde 3 de janeiro, acumulando agora recuperação de 2,89% na semana e de 0,82% no mês.

Impulsionando Petrobras, com ON em alta de 3,31% e PN, de 3,05% na sessão, a sequência de recuperação dos preços do petróleo - com o Brent negociado acima de US$ 85 por barril no melhor momento desta quarta -, ganhou dinamismo ainda no começo da tarde, após o Departamento de Energia dos Estados Unidos informar recuo de 4,5 milhões de barris de petróleo nos estoques na semana passada, em queda maior do que se antecipava no mercado.

Na China, o minério de ferro subiu 3,5%, a US$ 133,68 por tonelada, no maior nível desde 11 de outubro. "Pode parecer um pouco contraintuitivo, mas as chuvas em Minas Gerais contribuem para sustentar o preço do minério, ao afetar a produção de uma grande empresa (como a Vale)", aponta Pedrolin, da Blue3. Hoje, Vale fechou em alta de 1,09%, enquanto os ganhos no setor de siderurgia chegaram a 5,71% para CSN.

Câmbio

O dólar à vista emendou o segundo dia seguido de queda firme no mercado doméstico, em meio a um ambiente externo de recuperação do apetite por risco, alta das commodities e enfraquecimento da moeda americana frente divisas fortes e emergentes, especialmente após o resultado da inflação de dezembro nos EUA. 

Afora uma pequena alta na abertura dos negócios, o dólar à vista trabalhou com sinal negativo durante toda a sessão, renovando mínima ao longo da tarde, quanto tocou pontualmente a casa de R$ 5,5293. O aprofundamento das perdas por aqui se deu em sintonia com o movimento da divisa no exterior, com o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes - batendo mínimas, abaixo da linha dos 95 pontos.

"O CPI basicamente dentro das expectativas tirou fôlego do dólar, que caiu frente a moedas fortes e ao conjunto dos emergentes. Internamente, vimos um desmonte muito forte de posições defensivas, principalmente no mercado futuro", afirma Ricardo Gomes da Silva, diretor da corretora Correparti.

Para Ricardo Gomes da Silva, diretor da corretora Correparti, o dólar pode até romper pontualmente os R$ 5,50, mas não conseguirá se sustentar abaixo desse nível, mesmo com os juros domésticos mais elevados. Apesar do tombo dos últimos dois dias, ele vê o dólar em trajetória de alta no exterior, uma vez que o Fed, embora de forma cautelosa, vai ter de enxugar a liquidez. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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